quarta-feira, 1 de maio de 2013

Parte 2


— Introdução: como utilizar este currículo de AMI   51
Público-alvo para o Currículo de AMI     51
Principais características do Currículo de AMI     52
O processo de adaptação curricular à AMI: recomendações     53
Estratégias de integração     54
Módulos centrais    57
— Módulo 1: cidadania, liberdade de expressão e informação, acesso
à informação, discurso democrático e aprendizagem continuada    58
Contexto e justificativa      59
Unidade 1:
Alfabetização midiática e informacional: uma orientação   60
Principais tópicos    60
Objetivos de aprendizagem   61
Abordagens e atividades pedagógicas   61
Unidade 2:
A AMI e a participação cívica    65
Principais tópicos    65
Objetivos de aprendizagem   65
Abordagens e atividades pedagógicas   65
Unidade 3:
A interação com as mídias e outros
provedores de informação, como
bibliotecas, arquivos e internet    69
Principais tópicos    69
Objetivos de aprendizagem   70
Abordagens e atividades pedagógicas   70
Unidade 4:
AMI, ensino e aprendizagem    72
Principais tópicos    72
Objetivos de aprendizagem   73
Abordagens e atividades pedagógicas   73
Fontes de informação para este módulo    76
— Módulo 2: notícias e ética midiática e informacional  77
Contexto e justificativa   77
Unidade 1:
Jornalismo e sociedade    78
Principais tópicos    78
Objetivos de aprendizagem   79
Abordagens e atividades pedagógicas   79
Recomendações para avaliação   80
Tópicos para consideração futura   8045
Unidade 2:
Liberdade, ética e prestação pública de contas   80
Principais tópicos    80
Objetivos de aprendizagem   81
Abordagens e atividades pedagógicas   81
Recomendações para avaliação   83
Tópicos para consideração futura   83
Unidade 3:
Como são feitas as notícias    84
Principais tópicos    84
Objetivos de aprendizagem   84
Abordagens e atividades pedagógicas   84
Recomendações para avaliação    86
Tópicos para consideração futura   86
Unidade 4:
O processo de desenvolvimento de notícias:
para além das cinco questões da notícia  86
Principais tópicos    86
Objetivos de aprendizagem   86
Abordagens e atividades pedagógicas   87
Recomendações para avaliação   88
Tópicos para consideração futura   88
Fontes de informação para este módulo   88
— Módulo 3: a representação nas mídias e na informação   90
Contexto e justificativa   90
Unidade 1:
A cobertura das notícias e o poder da imagem    91
Principais tópicos   91
Objetivos de aprendizagem   92
Abordagens e atividades pedagógicas   92
A igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres    92
Recomendações para avaliação   94
Unidade 2:
Códigos da indústria sobre diversidade e representação   94
Principais tópicos    94
Objetivos de aprendizagem   95
Abordagens e atividades pedagógicas   95
Recomendações para avaliação   95
Unidade 3:
Televisão, filmes e publicações de livros    96
Principais tópicos    96
Objetivos de aprendizagem   96
Abordagens e atividades pedagógicas    96
Recomendações para avaliação   98
Unidade 4:
Representação e videoclipes    98
Principais tópicos    98
Objetivos de aprendizagem   9846
Abordagens e atividades pedagógicas   98
Recomendações para avaliação   100
Fontes de informação para este módulo   100
— Módulo 4: Liguagens nas mídias e na informação   101
Contexto e justificativa   101
Unidade 1:
Leitura de textos relacionados à mídia e à informação   102
Principais tópicos    102
Objetivos de aprendizagem   102
Abordagens e atividades pedagógicas   103
Recomendações para avaliação   103
Unidade 2:
O meio e a mensagem: notícias impressas e audiovisuais   104
Principais tópicos    104
Objetivos de aprendizagem   104
Abordagens e atividades pedagógicas   104
Recomendações para avaliação   105
Unidade 3:
Gêneros de filmes e a arte de contar histórias   105
Principais tópicos    105
Objetivos de aprendizagem   105
Abordagens e atividades pedagógicas   106
Recomendações para avaliação   106
Tópicos para consideração futura   106
Fontes de informação para este módulo   106
— Módulo 5: publicidade    108
Contexto e justificativa   108
Unidade 1:
Publicidade, receitas e regulação   110
Principais tópicos    110
Objetivos de aprendizagem   110
Abordagens e atividades pedagógicas    110
Recomendações para avaliação   111
Unidade 2:
Anúncios de utilidade pública   112
Principais tópicos    112
Objetivos de aprendizagem   112
Abordagens e atividades pedagógicas   112
Recomendações para avaliação   114
Unidade 3:
Publicidade: o processo criativo   115
Principais tópicos    115
Objetivos de aprendizagem   115
Abordagens e atividades pedagógicas   115
Recomendações para avaliação   11747
Unidade 4:
A Publicidade e a arena política   117
Principais tópicos    117
Objetivos de aprendizagem   117
Abordagens e atividades pedagógicas   118
Tópicos para consideração futura   118
Fontes de informação para este módulo   119
— Módulo 6: novas mídias e mídias tradicionais    120
Contexto e justificativa   120
Unidade 1:
Das mídias tradicionais às novas tecnologias de mídia   121
Principais tópicos    121
Objetivos de aprendizagem   121
Abordagens e atividades pedagógicas   121
Unidade 2:
Usos das novas tecnologias de mídia na sociedade
– comunicação de massa e comunicação digital   122
Principais tópicos    122
Objetivos de aprendizagem   123
Abordagens e atividades pedagógicas   123
Unidade 3:
Usos das ferramentas interativas multimídia,
incluindo os jogos digitais, nas salas de aula   125
Principais tópicos    125
Objetivos de aprendizagem   125
Abordagens e atividades pedagógicas    125
Fontes de informação para este módulo   127
— Módulo 7: Oportunidades e desafios da internet    128
Contexto e justificativa   128
Unidade 1:
Os jovens no mundo virtual   129
Principais tópicos    129
Objetivos de aprendizagem   129
Abordagens e atividades pedagógicas   129
Unidade 2:
Desafios e riscos no mundo virtual    131
Principais tópicos    131
Objetivos de aprendizagem   131
Abordagens e atividades pedagógicas   132
— Módulo 8:Alfabetização informacional
e habilidades no uso de bibliotecas    136
Contexto e justificativa   13648
Unidade 1:
Conceitos e aplicações da alfabetização informacional   137
Principais tópicos    137
Objetivos de aprendizagem   138
Abordagens e atividades pedagógicas   138
Unidade 2:
Ambientes de aprendizagem e alfabetização informacional   141
Principais tópicos    141
Objetivos de aprendizagem   141
Abordagens e atividades pedagógicas   141
Unidade 3:
Alfabetização informacional digital    144
Principais tópicos    144
Objetivos de aprendizagem   144
Abordagens e atividades pedagógicas   144
Fontes de informação para este módulo   146
— Módulo 9: comunicação, AMI e aprendizagem
– módulo de recapitulação   147
Contexto e justificativa   147
Unidade 1:
Comunicação, ensino e aprendizagem    148
Principais tópicos    148
Objetivos de aprendizagem   148
Abordagens e atividades pedagógicas   149
Unidade 2:
Teorias da aprendizagem e AMI    150
Principais tópicos    150
Objetivos de aprendizagem    150
Estratégias pedagógicas   150
Unidade 3:
Administrando a mudança para promover
um ambiente propício à AMI nas escolas    151
Principais tópicos    151
Objetivos de aprendizagem   152
Estratégias pedagógicas   152
Fontes de informação para este módulo   153
Módulos complementares    155
— Módulo 10: o público   156
Contexto e justificativa   156
Principais tópicos    157
Objetivos de aprendizagem   15749
Abordagens e atividades pedagógicas   158
Recomendações para avaliação   159
Fontes de informação para este módulo    159
— Módulo 11: mídia, tecnologia e aldeia global  161
Contexto e justificativa   161
Unidade 1:
A propriedade das mídias na atual aldeia global   163
Principais tópicos    163
Objetivos de aprendizagem   163
Abordagens e atividades pedagógicas   164
Recomendações para avaliação   165
Tópicos para consideração futura   165
Unidade 2:
Dimensões socioculturais e políticas das mídias globalizadas   165
Principais tópicos    165
Objetivos de aprendizagem   166
Abordagens e atividades pedagógicas   166
Recomendações para avaliação   167
Tópicos para consideração futura   167
Unidade 3:
A transformação da informação em mercadoria  168
Principais tópicos    168
Objetivos de aprendizagem   168
Abordagens e atividades pedagógicas   168
Recomendações para avaliação    169
Tópicos para consideração futura   169
Unidade 4:
A ascensão das mídias alternativas   170
Principais tópicos    170
Objetivos de aprendizagem   170
Abordagens e atividades pedagógicas   171
Recomendações para avaliação   172
Tópicos para consideração futura   172
Fontes de informação para este módulo    172
— Módulo 3, unidade 5: edição digital e retoques computacionais    173
Principais tópicos    173
Objetivos de aprendizagem   173
Abordagens pedagógicas   174
Recomendações para avaliação   174
— Módulo 4, unidade 4: planos e ângulos de câmera
– a transmissão de significados   175
Principais tópicos    175
Objetivos de aprendizagem   17550
Abordagens e atividades pedagógicas    176
Recomendações para avaliação   178
— Módulo 5, unidade 5: a publicidade
transnacional e as ‘‘supermarcas’’   179
Principais tópicos    179
Objetivos de aprendizagem   179
Abordagens e atividades pedagógicas   180
Recomendações para avaliação   180
Glossário  18151
INTRODUçãO:
COMO UTILIZAR
ESTE CURRíCULO DE AMI
A alfabetização midiática e informacional (AMI) diz respeito ao papel e à função das
mídias e de outros provedores de informação, como bibliotecas, arquivos e internet, em
nossas vidas pessoais e nas sociedades democráticas. Ela promove os direitos individuais
de comunicação e de expressão, bem como de busca, recebimento e transmissão de
informações e ideias. Encoraja a avaliação das mídias e de outros provedores de informação
com base naquilo que é produzido, nas mensagens transmitidas e nos públicos visados.
Em uma sociedade embasada na informação e no conhecimento:
◾ a AMI é importante para a participação dos cidadãos na sociedade e para a
sobrevivência;
◾ as mídias e a informação são elementos centrais no processo democrático;
◾ as mídias e outros provedores de informação têm um papel instrumental na maneira
como percepções, crenças e atitudes são moldadas;
◾ existe um aumento nos conteúdos gerados pelos usuários, no uso dos espaços virtuais
e na prática do jornalismo pelos cidadãos.
Ao reunir os conceitos de alfabetização midiática e alfabetização informacional, o
Currículo de AMI apresenta uma abordagem holística para a alfabetização necessária
à vida e ao trabalho em nossos dias. Esse currículo reconhece a necessidade de uma
definição mais abrangente de alfabetização, que também inclua as mídias e os sistemas
de informação impressa, audiovisual e eletrônica. Ademais, a AMI também reconhece o
papel desempenhado pelas bibliotecas, pelos arquivos e pelos museus como importantes
provedores de informação.
PÚBLICO-ALVO PARA
O CURRíCULO DE AMI
O principal público-alvo para o currículo é composto por professores, incluindo os do
nível médio e principalmente os do superior que estão em fase de formação ou já estão
trabalhando. O currículo é uma ferramenta especificamente desenhada para as instituições
de formação de professores, como faculdades (incluindo as faculdades comunitárias) e
universidades. Apesar disso, como o currículo foi desenvolvido tendo em vista sua capacidade
de adaptação, ele pode ser utilizado por outros departamentos dentro das faculdades ou
universidades em que a AMI seja um campo relevante. O currículo também é relevante para
ONGs, representantes governamentais, ministérios e outras organizações sociais.52
PRINCIPAIS CARACTERíSTICAS
DO CURRíCULO DE AMI
A alfabetização midiática e informacional busca reunir disciplinas que antes eram
separadas e distintas. A AMI preocupa-se com o conhecimento e com a compreensão
das funções da mídia, das bibliotecas, dos arquivos e de outros provedores de informação;
preocupa-se igualmente com a forma como eles operam, transmitem mensagens e valores,
podem ser utilizados e avaliam criticamente as informações que apresentam.
O Currículo de AMI é abrangente e totalmente inclusivo. Ele foi desenvolvido com base em
uma abordagem não prescritiva, tendo em vista sua adaptabilidade, e está apresentado
em forma de módulos.
Os módulos do presente documento curricular incluem todas ou algumas destas seções.
◾ Contexto e justificativa
◾ Principais tópicos
◾ Objetivos de aprendizagem
◾ Abordagens e atividades pedagógicas
◾ Recomendações para avaliação
◾ Fontes
Os objetivos de aprendizagem identificam as metas centrais de cada um dos módulos
para os professores. Eles também identificam as habilidades e os conhecimentos que os
professores devem demonstrar após a finalização de cada módulo. Em qualquer plano de
adaptação, esses elementos devem ser considerados em meio ao contexto geral da Matriz
Curricular e de Competências em AMI, que faz parte do presente pacote.
A seção referente a contexto e justificativaexplora o tópico do módulo para professores,
delineando e descrevendo conteúdos e contextos. É importante observar que o comentário
não tem o objetivo de ser exaustivo, e sim de ilustrar as possíveis considerações e
orientações que os professores podem explorar.
Pode-se dizer o mesmo das abordagens e atividades pedagógicas. Elas foram
desenvolvidas para ilustrar as inúmeras formas como as habilidades e os conhecimentos
assimilados em cada módulo podem ser demonstrados. Essas abordagens e atividades
pedagógicas devem ser vistas apenas como exemplos. Os professores são estimulados
a usá-las como uma base de preparação para atividades mais relevantes do ponto de
vista local ou cultural. Para auxiliar os esforços dos professores, a UNESCO facilitará a
construção de um banco de dados sobre atividades relacionadas à AMI.
A seção com as recomendações para avaliação inclui sugestões para avaliações
formativas e novas contribuições. Essas recomendações visam a sublinhar possibilidades
de avaliação, incluindo a avaliação para a aprendizagem, a avaliação das aprendizagens e
a avaliação como uma experiência de aprendizagem.
Por fim, alguns módulos encerram com uma seção de fontes recomendadas para serem
utilizadas com os módulos. Os professores podem entender que possuem seus próprios
recursos locais, podendo, portanto, adicioná-los a essa lista.53
O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
CURRICULAR À AMI: RECOMENDAÇÕES
Na execução e na adaptação de qualquer documento curricular, devem-se considerar as
realidades existentes em qualquer instituição envolvida na formação de professores: as
prioridades e as metas da instituição, os conteúdos programáticos e as prioridades existentes,
a programação ao longo do tempo e as limitações de tempo. As seguintes recomendações
poderão servir como uma forma de garantir que o currículo atenda às necessidades das
instituições e dos professores envolvidos na educação básica.
◾ Identificação dos principais grupos interessados e criação de um comitê de decisões.
◾ Nos estágios iniciais, deve-se fazer uma revisão integral do Currículo de AMI e da
Matriz Curricular e de Competências. Isso permitirá que as instituições identifiquem
áreas prioritárias no currículo que poderão atender melhor às suas necessidades.
◾ Deve-se fazer uma avaliação dos atuais currículos de formação de professores nas
respectivas instituições dos países, para examinar se os elementos da AMI já estão incluídos
ou não nesses currículos. Isso obviamente ajudará a evitar repetições desnecessárias e
trabalhos duplicados. Também ajudará a identificar eventuais lacunas nos currículos e
programas existentes, que poderão ser preenchidas pelo Currículo de AMI.
◾ A melhor abordagem para implementar a AMI precisará ser determinada por cada
instituição, considerando-se o tempo disponível e os recursos necessários (tanto em
termos de materiais quanto de pessoal). Estas são algumas das questões principais a
serem consideradas: como a AMI deveria ser ensinada? Como ela deveria ser integrada?
Já existe alguma proficiência nos conhecimentos de AMI dentro da instituição? Se
não existir, onde então ela pode ser buscada? Como essas necessidades identificadas
afetam a estratégia de adaptação desejada?
◾ Este Currículo de AMI precisará passar por adaptações. Isso significa que poderá ser
necessária uma versão adaptada do Currículo de AMI com base nas considerações
acima. A Plataforma de Recursos Educacionais Abertos (REAs) da UNESCO (www.
unesco.org/webworld/en/oer) poderá servir de auxílio durante o processo de adaptação.
Os recursos educacionais abertos são materiais de aprendizagem que foram lançados
sob licença de propriedade intelectual, como as da Creative Commons, permitindo o livre
uso pelas pessoas (ver o Quadro, ao final desta seção, para mais detalhes).
◾ Uma vez que o currículo ou a versão adaptada tenha sido desenvolvida, é importante
a realização de um teste piloto. Essa etapa de testagem precisa ser monitorada, e os
resultados da experiência piloto precisam ser avaliados.
◾ Com base na avaliação do piloto, serão feitas as revisões necessárias para o currículo
adaptado, incluindo recomendações para a execução.
◾ Nesta etapa, a integração do currículo em toda a instituição estará pronta, com base
na estratégia de integração escolhida pela instituição (ver a seguir).
◾ A atual documentação, o monitoramento e a avaliação curricular devem ser completos.
Se apropriado, o desenvolvimento e a documentação de estudos de caso devem estar
disponíveis como uma forma de compartilhar as melhores práticas e informar à
comunidade educacional o trabalho realizado em diversas instituições.54
ESTRATÉGIAS DE INTEGRAÇÃO
As seguintes estratégias de integração para o Currículo de AMI devem ser consideradas.
◾ Curso independente: o Currículo de AMI pode ser oferecido como um curso independente
valendo crédito(s). Ele pode ser oferecido como um curso obrigatório ou opcional para
todos os professores. Para os professores em atividade, o currículo pode ser adaptado
como um programa de certificação para aprimoramento profissional.
◾ Programa institucional: envolve uma experiência de formação presencial intensiva de
uma ou duas semanas, seguida da execução de um projeto que os professores têm
de dois a três meses para concluir. Também podem ser oferecidos créditos por esse
programa de formação.
◾ Integração com múltiplos componentes: diferentes componentes do Currículo de AMI
podem ser integrados em diversos cursos relacionados que já estejam sendo oferecidos
aos professores. Os exemplos incluem tecnologia educacional, alfabetização, estudos
sociais etc. Essa talvez seja a mais complexa das estratégias propostas. Para que tal
integração seja eficaz, é necessário haver um cuidadoso planejamento, considerando
as metas gerais do programa e sua avaliação.
◾ Curso a distância: um curso a distância poderia ser oferecido online tanto para
professores em formação quanto para professores em atividade. Isso poderia envolver
parcerias com outra instituição no mesmo país ou no exterior. É importante observar
que a instituição de formação de professores não precisaria montar seu próprio
curso online, mas poderia trabalhar em parceria com outra universidade que tivesse
a infraestrutura adequada para oferecer cursos nessa modalidade. A instituição pode
considerar a possibilidade de oferecer o curso como um programa com certificado,
diploma ou formação especializada.
No longo prazo, uma combinação de duas ou mais dessas estratégias também poderá
ser explorada. Evidentemente, o processo de adaptação e as estratégias de integração
empregadas variarão de uma instituição para outra, dependendo do número de fatores
determinantes. Alguns fatores óbvios são o nível de prontidão, a disponibilidade de
recursos e experiência, e a profundidade e o alcance da integração.55
Adaptação e compartilhamento dos currículos de AMI por meio da nova
Plataforma de Recursos Educacionais Abertos da UNESCO
A Plataforma de Recursos Educacionais Abertos da UNESCO (www.unesco.org/webworld/en/oer)
é uma iniciativa recente e inovadora para oferecer publicações da UNESCO como recursos educacionais abertos totalmente licenciados (REAs). Os REAs são materiais de aprendizagem que foram
lançados sob licença de propriedade intelectual, como as da Creative Commons*, permitindo o livre
uso pelas pessoas.
Com a Plataforma de REAs da UNESCO, as comunidades de prática globais – incluindo professores,
aprendizes e profissionais da educação – estarão em condições de copiar, adaptar e compartilhar livremente seus recursos, incluindo o Currículo de AMI.
Ao persuadir e auxiliar as instituições de formação de professores a compartilhar dos seus currículos
adaptados de AMI como REAs totalmente licenciados pela Plataforma, está-se provendo professores,
desenvolvedores de currículos ou assessores de controle de qualidade que buscam desenvolver seus
próprios currículos com uma oportunidade ímpar de selecionar facilmente e comparar os currículos de
instituições nacionais ou internacionais, em sua própria linguagem. Assim, eles estarão em condições
de ‘‘copiar’’ os conteúdos mais próximos das suas necessidades de maneira fácil, legal e livre, a fim de
adaptá-los às suas necessidades locais.
A Plataforma fornece oportunidades de colaboração e parcerias entre instituições afins e conecta mais
fortemente as instituições com a UNESCO para futuros aprimoramentos do Currículo de AMI. Após seu
lançamento ao final de 2011, a Plataforma de REAs da UNESCO estará em condições de proporcionar
capacitação sobre a Creative Commons* e auxiliar na transformação e na transferência de materiais sobre
REAs para instituições que desejem compartilhar suas adaptações.
* As licenças da Creative Commons baseiam-se nas práticas tradicionais de direitos autorais e permitem que
os autores definam quais direitos querem reservar e quais direitos querem ceder a usuários das suas obras ou
a outros autores.
(http://creativecommons.org).57
Módulos
centrais58
Módulo 1
MÓDULO 1: CIDADANIA,
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
E INFORMAÇÃO, ACESSO
À INFORMAÇÃO, DISCURSO
DEMOCRÁTICO E APRENDIZAGEM CONTINUADA
Se fosse possível definir a missão da educação em termos
gerais, poderíamos dizer que seu propósito fundamental é
garantir que os estudantes beneficiem-se da sua aprendizagem
a ponto de poderem participar ativamente da vida pública,
comunitária e econômica.
New London Group
Módulo 159
Módulo 1
CONTEXTO E JUSTIFICATIVA
O rápido crescimento da mídia e das terminologias de1
 informação e comunicação (TICs),
bem como a simultânea convergência entre as comunicações e a informação, tornam
imperativo que a alfabetização midiática e informacional (AMI) seja vista como um
elemento vital para o empoderamento das pessoas. A AMI tem tornado-se um importante
pré-requisito no aproveitamento das TICs para a educação e para promover o acesso
equitativo à informação e ao conhecimento. As sociedades em que vivemos hoje são
movidas pela informação e pelo conhecimento. Não podemos escapar da ubiquidade das
mídias e de todas as formas de tecnologias de informação e comunicação, tampouco do
papel que elas desempenham em nossa vida pessoal, econômica, política e social. Assim,
está claro que novas formas de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes)
são necessárias para que as pessoas efetivamente participem e avancem por todos os
estágios da vida nas sociedades da informação e do conhecimento. Isso tem confirmado
que a alfabetização midiática e informacional está-se tornando cada vez mais importante
para o ensino e a aprendizagem.
De acordo com as estatísticas de 2009 dos Indicadores de Tecnologias de Informação e
Comunicação da UIT2
, 1,3 bilhão (3/4) do 1,7 bilhão de lares do mundo, representando 4,9
bilhões de pessoas, tem um televisor; 0,6 bilhão (1/3) de todos os lares, representando 1,9
bilhão de pessoas, tem acesso a um computador; e 4,6 bilhões de assinaturas de telefone
celular foram estimadas para o final de 2009. Além disso, existem cerca de 2,5 bilhões
de aparelhos de rádio. A Associação Mundial de Jornais relata que os leitores de jornais
pagos no mundo todo ultrapassaram 1,4 bilhão em 2007. O Instituto de Estatísticas da
UNESCO (UNESCO Institute for Statistics – UIS) estima que cerca de um milhão de novos
livros são publicados anualmente no mundo.
Considerados juntos, os números de canais de televisão e estações de rádio, de jornais,
de telefones celulares, de acesso e uso da internet, de livros, de bibliotecas, de cartazes e
de videogames determinam muito do que aprendemos sobre nós mesmos, nossos países,
nossas culturas e o mundo.
As mídias e os demais provedores de informação desempenham um papel central para a
democracia e a boa governança, seja como plataformas para o discurso democrático ou
como provedores de informação e conhecimentos. Se as mídias têm um papel a cumprir
no apoio à democracia, os cidadãos precisam entender como usá-las de maneira crítica,
sabendo interpretar as informações que recebem, incluindo o uso de metáforas, o recurso
da ironia e as maneiras como as reportagens são contextualizadas a fim de sugerirem
certos significados. Como cidadãos, os indivíduos precisam desenvolver competências
específicas (conhecimentos, habilidades e atitudes) para engajarem-se junto à mídia e,
em última instância, junto a seus processos políticos e sua governança; devem também
usar de forma eficaz as fontes proporcionadas por mídias, bibliotecas, arquivos e outros
provedores de informação. A alfabetização midiática e informacional oferece um conjunto
necessário de competências para o século XXI.
1 Para os propósitos deste currículo, independentemente da natureza e das tecnologias usadas, as mídias são definidas
como fontes de informação confiável, transmitida por meio de um processo editorial determinado por valores jornalísticos
e atribuível a uma organização ou a uma pessoa jurídica. Na medida em que as mídias são uma parte importante do sistema
de comunicações de qualquer sociedade, seu processo institucional pode misturar-se com uma série de provedores de
informação externos, tais como bibliotecas, museus, arquivos, provedores de informação da internet, outras organizações
da área da informação e cidadãos que produzem seus próprios conteúdos.
2 UIT é a sigla para a União Internacional das Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas especializada em
tecnologias de comunicação. Entre as tarefas da UIT estão a alocação do espectro eletromagnético global e das órbitas
de satélites, o desenvolvimento de normas técnicas que assegurem redes e tecnologias de interconexão de forma
transparente, e a promoção de iniciativas que melhorem o acesso às TICs para comunidades em todo o mundo. (UIT.
Information and Communication Technology (ICT) Statistics. Disponível em: ).60
Módulo 1
Em muitos aspectos, a alfabetização tradicional tem sido redefinida. Já não é suficiente que as
pessoas apenas aprendam a ler, escrever e fazer cálculos aritméticos. A importância dessas
habilidades fundamentais de alfabetização e matemática não podem ser subestimadas,
mas a inclusão da alfabetização midiática e informacional no currículo significa que os
jovens também devem entender as funções das mídias e de outros provedores de informação
para buscar, avaliar, usar e criar informações a fim de atingir suas metas pessoais,
sociais, ocupacionais e educacionais. Eles devem ainda adquirir as habilidades básicas do
pensamento crítico e da capacidade analítica, usando-as para sua autoexpressão com o
objetivo de tornarem-se independentes como leitores, produtores, cidadãos bem informados
e profissionais, e de participarem da governança e dos processos democráticos de suas
sociedades (ver o “Relatório do Fórum Nacional sobre Alfabetização Informacional”, 2005).
Este módulo está amparado em três pilares centrais: pensamento crítico, autoexpressão e
participação. Ele considerará a AMI como um fator relevante e entrelaçado com uma série
de disciplinas e campos e explorará as seguintes questões:
◾ O que é a informação? O que são as mídias? Por que ensinar a respeito delas? Por que
são importantes?
◾ O que é alfabetização midiática?
◾ O que é alfabetização informacional?
◾ Por que falarmos em alfabetização midiática e informacional?
O módulo apresentará a AMI como um processo
de ensino e aprendizagem, e não como uma
disciplina. Portanto, introduzirá aos professores
as questões e os conceitos centrais da área,
que serão abordados mais detalhadamente
nos outros módulos, proporcionando-lhes
a oportunidade de desenvolverem uma
compreensão sobre a diferença entre ensinar
sobre e ensinar por meio da alfabetização
midiática e informacional. O objetivo é fazer
com que os próprios professores tornem-se alfabetizados em mídia e informação, desenvolvendo
as competências e as habilidades necessárias para que possam integrar a AMI aos currículos
escolares dos níveis de educação primária e secundária (ensinos fundamental e médio no Brasil).
UNIDADE 1:ALFABETIZAÇÃO MIDIÁTICA
E INFORMACIONAL: UMA ORIENTAÇÃO
▶ DURAçãO: 2 horas
PRINCIPAIS TÓPICOS
◾ Definição de informação e mídia
◾ Análise da importância das mídias e de outros provedores de informação
◾ Descrição dos resultados centrais de aprendizagem na alfabetização midiática e informacional
UNIDADES
1. Alfabetização midiática e informacional: uma orientação
2. A AMI e a participação cívica
3. A interação com as mídias e outros
provedores de informação
4. AMI, ensino e aprendizagem 61
Módulo 1
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final deste módulo, os professores devem estar em condições de realizar as atividades abaixo:
◾ identificar os resultados e os elementos centrais da alfabetização midiática e informacional;
◾ entender a alfabetização midiática e informacional, e sua importância e relevância
para as vidas dos professores e alunos de hoje;
◾ explorar os papéis das mídias e de outros provedores de informação, como bibliotecas,
arquivos e internet;
◾ explorar esses papéis em uma série de textos sobre mídia e informação.
ABORDAGENS E ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
OS MÚLTIPLOS PAPÉIS DAS MÍDIAS
As mídias e os demais provedores de informação desempenham um papel central nos
processos de informação e comunicação. Eles são uma maneira de comunicar informações,
embora seu papel seja muito mais amplo que isso. Para o propósito do Currículo de AMI,
as mídias são definidas (independentemente da natureza das tecnologias utilizadas)
como fontes de informação confiáveis e atualizadas, criadas por um processo editorial
determinado por valores jornalísticos, por meio dos quais a responsabilidade editorial pode
ser atribuída a uma organização ou pessoa jurídica específica. Como as mídias são uma
parte importante do sistema de comunicação de toda sociedade, sua presença institucional
pode entrelaçar-se com uma série de provedores externos, como bibliotecas, museus,
arquivos, provedores de informação pela internet, outras organizações informacionais e
cidadãos que produzem seus próprios conteúdos.
As mídias desempenham diversos papéis:3
◾ atuam como canais de informação e de conhecimento pelos quais os cidadãos
comunicam-se uns com os outros e tomam decisões bem informadas;
◾ promovem discussões informadas entre diversos atores sociais;
◾ fornecem muito do que aprendemos sobre o mundo alheio a nossa experiência imediata;
◾ são os meios pelos quais a sociedade aprende a respeito de si mesma e constrói um
sentido de comunidade;
◾ supervisionam as ações do governo, promovendo a transparência na vida pública
e o escrutínio público dos ocupantes do poder, denunciando a corrupção, a má
administração pública e as ações corporativas nocivas;
◾ são facilitadoras essenciais dos processos democráticos e atuam para garantir
eleições livres e justas;
◾ são um veículo de expressão e coesão cultural dentro das nações e entre elas;
◾ funcionam como um ator social que age em defesa própria, respeitando os valores
pluralistas.
3 Adaptado da publicação “Indicadores de desenvolvimento da mídia”, da UNESCO (2008).62
Módulo 1
— A BUSCA POR FONTES DE INFORMAçãO
O uso adequado das informações disponibilizadas pelas mídias e por diversos provedores de
informação depende da capacidade de as pessoas entenderem suas próprias necessidades
de informações, bem como da localização, assimilação e avaliação da qualidade da
informação que elas podem acessar. Atualmente, existe uma seleção extremamente
numerosa e variada de materiais de informação, conteúdos e fontes disponíveis,
especialmente na internet, e esses conteúdos e fontes variam bastante em termos de
precisão, confiabilidade e valor. Além disso, essas informações são apresentadas em
diversos formatos (por exemplo, textos, imagens ou estatísticas impressas ou eletrônicas)
que podem ser disponibilizados por meio de repositórios ou portais online, de coleções
físicas ou virtuais de bibliotecas, bases de dados, museus etc. Porém, o fator mais
importante é a qualidade dessa informação, que pode variar de muito boa a muito ruim.
Antes de avaliar as fontes, é importante pensar sobre o propósito da informação. Isso
ajudará a identificar fontes confiáveis de informações. Estas devem ser as questões
centrais: que fonte, ou que tipo de fonte, seria a mais confiável para prover informações
neste caso específico? Que fontes têm maior probabilidade de serem justas, objetivas,
isentas de motivações ocultas, mostrando ter um controle de qualidade?
Podemos pensar a informação como algo que é manuseado pelas mídias e por outros
provedores, como bibliotecas, museus, arquivos e internet. Esses provedores de informação
desempenham alguns papéis, incluindo os seguintes:
◾ informar;
◾ educar;
◾ incrementar processos de ensino e aprendizagem;
◾ prover acesso a todos os tipos de informação (frequentemente sem qualquer ônus, de
maneira plural, confiável e sem restrições);
◾ servir como um canal e um portal de informações;
◾ promover valores universais e direitos civis, como liberdade de expressão e de
informação;
◾ servir como uma memória coletiva para a sociedade;
◾ coletar informações;
◾ preservar o patrimônio cultural;
◾ entreter.
— ATIVIDADES
◾ Pesquisar as mídias para encontrar fontes ou textos de mídia que exemplifiquem as funções
listadas acima. Identificar textos que ilustrem esses papéis em nível local, nacional e global.
◾ Pesquisar bibliotecas de faculdades/universidades ou bibliotecas públicas para
encontrar livros ou outras fontes disponíveis que proporcionem informações sobre
democracia, outras partes do mundo, culturas diferentes, vida econômica e social etc.
Explorar questões como estas: quem decide sobre o nível de recursos a serem alocados
às bibliotecas? Quem decide sobre quais livros devem ser incluídos na biblioteca e
quais devem ser excluídos? Quem decide que livros são mais importantes que outros?
As bibliotecas estão servindo a seus propósitos? (Uma atividade semelhante pode ser
organizada para museus e arquivos).63
Módulo 1
◾ As mídias cumprem um importante papel, estimulando o desenvolvimento e a construção
de uma nação. Discuta como as restrições indevidas que podem ser impostas sobre as
mídias impedem-nas de exercer essa função. Pense sobre o conteúdo das mídias no seu
país. Quantos pontos de vista diferentes você é capaz de encontrar sobre desenvolvimento,
construção nacional e interesses nacionais, a partir de qual perspectiva?
◾ Pesquisar na internet reportagens relacionadas à destruição deliberada de bibliotecas,
museus ou arquivos, ou a destruição de certos livros em momentos de guerras, conflitos
étnicos etc. Como você poderá verificar que essa história é verdadeira? (Como esta é a
primeira unidade, os professores podem não ter elementos necessários para responder
a essa pergunta, portanto não se demore muito nesta questão e passe às demais).
Como a destruição das mídias, das bibliotecas, dos arquivos e de outros provedores de
informação, dos recursos disponíveis e dos serviços oferecidos por essas instituições
poderia afetar as pessoas, sua história e cultura? Com base em suas observações, que
outras implicações teriam tais ações?
◾ O que é informação de domínio público? Pesquise como a informação de domínio público
é tratada por duas instituições governamentais no seu país. Discuta o quão (ou quão
pouco) adequada é a informação proporcionada por essas instituições. Existem políticas
nacionais sobre como a informação deve ser divulgada publicamente? Existem leis de
acesso à informação no seu país? Elas estão sendo utilizadas? Quais são os direitos dos
cidadãos mencionados no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos?4
◾ A partir das respostas obtidas com a atividade acima sugerida, indique os resultados para a
alfabetização midiática e informacional (o que a pessoa alfabetizada em mídia e informação
deve estar em condições de fazer). O que significa cada noção individualmente?
◾ Escreva uma lista das mídias que atualmente estão presentes no cotidiano dos estudantes
e dos professores. Quais são os papéis e as funções centrais que cada uma dessas mídias
desempenha? O que você acredita que significa ser “alfabetizado” quando se fala em
utilizar mídias e outros provedores de informação? Quais conhecimentos, habilidades e
atitudes são necessários?
◾ Faça anotações durante um dia, registrando seu uso diário e sua interação com as mídias
e os provedores de informação, como os provedores públicos e privados de informações
pela internet. Que padrões podem ser observados no seu uso pessoal? Quantas horas você
passa junto às mídias e às tecnologias, como a internet, a televisão e o rádio? Que papéis
essas mídias e esses provedores de informação estão desempenhando na sua vida?
◾ Faça uma caminhada de reconhecimento pela sua escola ou vizinhança. Faça uma lista
com exemplos de mídias e de outros provedores de informação que estão presentes
nesses ambientes. Quais dos papéis listados acima são ilustrados por esses exemplos?
◾ Imagine que você acorda um dia e não existem mais mídias, bibliotecas, internet e
telefones celulares. Além disso, imagine que jornais, revistas, estações de rádio e canais
de televisão tenham desaparecido. Analise em pequenos grupos o que aconteceria
com os cidadãos.
◾ Com eles fariam para se informar agora?
# Como comunicariam notícias, fatos e eventos?
# O que aconteceria com as decisões que você costuma tomar?
# Pessoalmente, do que você sentiria mais falta numa situação assim?
# O que a sociedade perderia com esse tipo de problema?
◾ Escreva uma “carta ao editor” com suas conclusões sobre o valor das mídias e da
informação em uma sociedade democrática.
4 “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter
opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”
(NAçÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. New York: ONU, 1948. Disponível em: unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf>).64
Módulo 1
A IMPORTÂNCIA DA AMI PARA OS CIDADãOS
A alfabetização midiática e informacional (AMI) reúne disciplinas que antes eram
separadas e distintas. A AMI busca oferecer às pessoas uma compreensão da importância
das mídias e de outros provedores de informação, para que elas possam:
a) tomar decisões bem informadas;
b) conhecer mais sobre o mundo ao seu redor;
c) construir um sentido de comunidade;
d) manter o discurso público;
e) engajar-se na aprendizagem continuada.
Além disso, a AMI visa a estimular os cidadãos a tornarem-se produtores ativos de
informações e inovadores em produtos relacionados às mídias e demais TICs, bem como a
pensarem com capacidade crítica. A AMI deve levá-los a utilizar as novas e as tradicionais
mídias para sua autoexpressão, criatividade e maior participação na democracia do país
e na rede global de informações.
— ATIVIDADES
◾ Considere as características da AMI descritas na Figura 1 da Matriz Curricular e de
Competências em Alfabetização Midiática e Informacional para Professores (Parte 1)5
.
Discuta cada característica. Descreva o que cada uma delas significa para você. Em sua
opinião, essa descrição está completa? O que você acha que poderia ser incluído?
◾ Considere as seguintes terminologias ligadas a diferentes alfabetizações relacionadas
à AMI e utilizadas por diversos atores no mundo todo.
# Alfabetização midiática
# Alfabetização no uso de bibliotecas
# Alfabetização computacional
# Alfabetização para a liberdade de expressão
# Alfabetização no uso da internet
# Alfabetização digital
# Alfabetização no acesso a notícias
# Alfabetização cinematográfica
# Alfabetização no uso de jogos
Utilizando a internet ou uma biblioteca, pesquise diferentes definições para cada uma
dessas terminologias. O que você pode observar sobre a relação dessas terminologias
entre elas e em relação às noções de AMI? Escreva um parágrafo sobre qual seria sua
justificativa para agrupar alfabetização midiática e alfabetização informacional com
base na AMI.
5 A Figura 1 está na página 18.65
Módulo 1
UNIDADE 2:A AMI E A PARTICIPAÇÃO CíVICA
▶ DURAçãO: 2 horas
PRINCIPAIS TÓPICOS
◾ As funções das mídias e de outros provedores de informação, como bibliotecas,
arquivos e internet
◾ O que os cidadãos podem esperar das mídias e de outros provedores de informação,
como, bibliotecas, arquivos e internet
◾ A AMI e sua importância para a democracia e a boa governança
◾ Liberdade de expressão, independência editorial da mídia, pluralidade e diversidade nas
mídias e em outros provedores de informação
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Após concluírem esta unidade, os professores estarão em condições de realizar as
seguintes atividades:
◾ entender e descrever as funções das mídias e de outros provedores de informação
quanto ao acesso à informação e ao conhecimento, à autoexpressão e à participação
em processos democráticos;
◾ identificar as condições necessárias para que as mídias e outros provedores de
informação cumpram essas funções.
ABORDAGENS E ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
O jornalismo e as fontes das mídias são importantes em todas as sociedades. Sem os
jornalistas e as mídias de notícias, não haveria a janela para o mundo e teríamos muito
pouca abertura para sabermos o que aconteceu em nossas comunidades ou no mundo
alheio a nossa experiência imediata. Existem diversos fatores que as práticas jornalísticas
devem respeitar e que os cidadãos passaram a esperar do jornalismo.
◾ Organização do conhecimento – fazer com que uma informação caótica torne-se
organizada e compreensível e refutar posições oficiais para expor interesses especiais.
◾ Veracidade – na mídia, as fontes de informação devem ser claramente mencionadas,
para que os cidadãos possam julgar a relevância, a confiabilidade e possíveis vieses;
questões importantes não respondidas devem ser destacadas com vistas a identificar
se existem controvérsias.
◾ Interesse público – no trabalho que realizam, os jornalistas podem fazer muito para
promover o interesse público, proporcionando aos cidadãos as informações de que eles
necessitam para participar das questões públicas.66
Módulo 1
◾ Independência– deve ficar claro que a discussão cidadã deve acontecer apesar e acima de
vieses pessoais; os comentaristas devem examinar ambos os lados da moeda (ou seja, devem
discutir tanto as ideias com as quais concordam quanto aquelas das quais discordam); e os
jornalistas devem apresentar um pensamento independente no seu trabalho.
◾ Fórum de críticas públicas e solução de problemas – as mídias devem oferecer
diversos canais de interação pública (cartas, e-mail, contatos telefônicos e fórum
público); os cidadãos também esperam que as mídias lhes proporcionem o acesso
aos programas de modo a permitir diálogos em sua própria “linguagem” com outros
cidadãos; além disso, eles também esperam que um amplo leque de visões e valores
seja representado e esteja visível na cobertura das notícias.
◾ Prestação pública de contas – as mídias devem monitorar todos os atores que
estão no poder, não apenas nos governos, mas também em órgãos públicos e privados
importantes; ao cobrar a prestação de contas, as mídias podem facilitar o surgimento
do pensamento comunitário.
◾ Notícias representativas e relevantes – os cidadãos têm a necessidade de receber
conhecimentos atualizados sobre questões e tendências importantes; as notícias não
devem superestimar, tampouco subestimar a verdadeira natureza de ameaças e riscos.
◾ Equilíbrio entre a privacidade e o direito de saber – os cidadãos esperam que os
profissionais de mídia alcancem um ponto de equilíbrio entre o direito de saber e o direito
individual à privacidade.
(ver Fackson Banda, UNESCO, 2009).
ACESSO À INFORMAçãO
O acesso à informação é um elemento essencial tanto para a democracia quanto para
o desenvolvimento. Os cidadãos têm o direito à livre expressão e o direito ao acesso às
informações públicas. Essas informações são também propriedade dos cidadãos. As
mídias e outros provedores de informação, como bibliotecas, arquivos e internet, devem
ajudar a garantir o direito à liberdade de informação para cada cidadão.
O papel das mídias e de outros provedores de informação está-se modificando com
a rápida disseminação das tecnologias, por exemplo, as tecnologias de informação e
comunicação (TICs). As TICs proporcionam acesso a informações e conhecimentos de
maneira quase instantânea. As mídias e os provedores de informação, como bibliotecas,
arquivos e internet, estão em condições de proporcionar novos serviços e vêm-se tornando
algo mais que centros de fontes de informação ou provedores de informação. Essas
novas possibilidades oferecem novas oportunidades de atender eficaz e eficientemente
as necessidades dos cidadãos de buscar a aprendizagem continuada, a pesquisa, o
entretenimento e de conectar-se com as comunidades.
As mídias e os provedores de informação desempenham diversas funções essenciais,
incluindo estas abaixo:
◾ prover acesso rápido a fontes de informação sem qualquer restrição de raça, sexo,
ocupação ou religião; as bibliotecas públicas, em particular, proveem acesso gratuito;
◾ proteger a privacidade e a confidencialidade dos leitores em termos de conteúdos
consultados nos seus veículos ou online;
◾ prover acesso a fontes de informação diversificadas e plurais, de maneira profissional
e sem qualquer viés político, religioso ou moral;
◾ coletar e preservar a informação para as futuras gerações.67
Módulo 1
— ATIVIDADES
◾ Usando as fontes relevantes de bibliotecas e da internet, pesquise entre cinco e dez
histórias ou reportagens do ano anterior em nível nacional ou global. Identifique quais
das expectativas listadas acima referem-se a cada uma das histórias/reportagens.
Quais são os elementos centrais dessas histórias/reportagens, que fazem delas
exemplos eficazes? Para cada história/reportagem que não corresponder a essas
expectativas, sugira mudanças que poderiam ser feitas para aprimorá-las.
◾ Escreva um pequeno texto argumentando que os leitores têm obrigação de analisar
as notícias com a mente aberta, e não apenas com o desejo de que elas reforcem as
opiniões existentes.
◾ Selecione a cobertura de um fato ou história local e analise-a cuidadosamente.
Parte do trabalho de ser alfabetizado em mídia e informação é estar consciente e
ter a capacidade de aplicar os critérios acima à cobertura dada às diversas questões
existentes. Em que medida as expectativas dos cidadãos estão sendo cumpridas no
exemplo local? Que impacto teve a cobertura sobre a comunidade local? Onde as
expectativas dos cidadãos não estiverem sendo cumpridas, que recursos eles têm para
lidar com os problemas? Que papéis a alfabetização midiática e informacional pode
desempenhar no apoio aos cidadãos?
◾ Você concorda que o cidadão bem informado está mais bem equipado para tomar
decisões e participar de uma sociedade democrática? Por quê? Escreva um editorial
para expressar sua opinião.
◾ Discuta como o papel da informação é visto e avaliado na sua sociedade. O que você
pensa ser a relação entre informação e conhecimento, e entre informação e poder?
LIBERDADE DE EXPRESSãO, INDEPENDÊNCIA
EDITORIAL, PLURALIDADE E DIVERSIDADE
A liberdade de informação e expressão está na base da alfabetização midiática e
informacional. Nesse contexto, o uso do termo relacionado liberdade de expressão referese ao acesso à informação pública.
A informação é a chave para a nossa compreensão do mundo, para a
nossa habilidade de encontrar nele um papel significativo e para a nossa
capacidade de aproveitar as fontes que nos são disponibilizadas. Quando
a informação está concentrada nas mãos de poucos, ou apenas nas
mãos das elites, a capacidade de o público tomar decisões e acessar
as informações torna-se bastante reduzida. A ética e o pluralismo nas
mídias podem assegurar a transparência, a prestação pública de contas
e o Estado de Direito (UNESCO Freedom of Expression Toolkit, 2008).6
As mídias independentes exercem seu poder ao divulgar responsavelmente as notícias
sobre as comunidades às quais servem.
6 NT: Veja também o material em inglês da UNESCO sobre liberdade de expressão, que disponibiliza diversas fontes sobre
AMI: SALZBURG ACADEMY ON MEDIA & GLOBAL CHANGE. The Salzburg Academy teams up with UNESCO to launch
the Global Media Literacy Curriculum and Toolkit, Disponível em: .68
Módulo 1
— A LIBERDADE DE EXPRESSãO E A IMPRENSA
A liberdade de expressão é a liberdade de expressar e compartilhar visões e opiniões sem
medo de ameaças ou ações punitivas. A liberdade de expressão é um direito humano
fundamental. O direito à liberdade de expressão protege não apenas a liberdade de dizer
o que se pensa, mas também qualquer ato de pesquisar, receber e transmitir informações
ou ideias independentemente do meio utilizado. A liberdade de imprensa é um pilar
necessário desse direito, pois permite que a livre expressão seja pública e compartilhada
e, por isso, é essencial para a construção e a manutenção das comunidades e da sociedade
civil. A liberdade de expressão pode promover um sentido verdadeiro de empoderamento
dentro da sociedade, permitindo que indivíduos comuns examinem e expressem diferentes
pensamentos ou opiniões. A liberdade de expressão é parte da responsabilidade cívica e
é essencial para o pensamento crítico. Restrições à liberdade de expressão são apenas
permitidas quando se mostram necessárias para a proteção da liberdade de pessoas.
Limitações, como leis que impeçam a linguagem hostil, devem ser definidas de maneira
muito detalhada para que se evitem maus usos.
— PLURALISMO NAS MÍDIAS
Um setor de mídia plural – que atravesse as plataformas de mídias (impressas, transmitidas,
online), os lugares (nação, estado e comunidade) e as perspectivas políticas – auxilia as
sociedades a refletir melhor sobre elas mesmas. Quando as operações das mídias estão
distribuídas em vários grupos, as opiniões que não são populares podem ainda encontrar
um fórum de expressão. Uma combinação eficaz de mídias internacionais, nacionais e
locais pode fornecer às pessoas os meios de participação nos processos democráticos.
A disseminação mais ampla possível das informações a partir de fontes distintas e
antagonistas contribui para o bem-estar das pessoas. Ao passo que jornais e emissoras de
diferentes proprietários geralmente criticam os conteúdos uns dos outros, a concentração
das mídias em uma única empresa de comunicação está longe de possibilitar a crítica
mútua e poderia ocasionar a autopromoção e a preservação dos próprios interesses.
— INDEPENDÊNCIA EDITORIAL
A independência editorial refere-se à liberdade profissional confiada aos editores para que
tomem decisões editoriais sem interferências dos proprietários das mídias ou de qualquer ator
estatal ou não estatal. A independência editorial é testada, por exemplo, quando uma organização
de mídia publica artigos que possam ser impopulares entre seus proprietários e anunciantes.
— ATIVIDADES
◾ Valendo-se da internet e das fontes em bibliotecas, pesquise sobre a propriedade e
o controle das principais empresas de mídia e os monopólios governamentais da
atualidade. Faça uma lista dos maiores grupos. Como a propriedade das mídias pode
determinar o acesso, as escolhas e a liberdade de expressão? Pesquise sobre as leis
que estão em vigor no seu país ou na sua comunidade relacionadas à regulação da
propriedade e do controle das mídias.
◾ Avalie o papel das mídias alternativas ou independentes na sua comunidade. Selecione
um exemplo e descreva os principais elementos que o tornam independente. Como
permite que as pessoas participem no processo democrático? Como se diferencia das
mídias principais?69
Módulo 1
◾ Pesquise sobre o trabalho de organizações que promovem a liberdade de expressão
ou protegem os jornalistas, como o Artigo 19, o Comitê de Proteção dos Jornalistas,
os Jornalistas sem Fronteiras ou ONGs regionais e nacionais. Observe o trabalho de
jornalistas apoiados por essas organizações e identifique os elementos centrais desse
trabalho que os fazem merecedores desse apoio.
◾ Discuta por que o governo deve respeitar o direito à independência das mídias e à
independência editorial e, em particular, por que ele deve abster-se de pressionar as
mídias quanto a coberturas de notícias e atualidades. Nesse contexto, discuta a seguinte
citação de Corazón Aquino, ex-presidente das Filipinas, que liderou o movimento que
transformou o governo autoritário de seu país em uma democracia.
O conceito de liberdade de expressão está tão intimamente entrelaçado
com a democracia que um líder deve abordar qualquer tentativa de
imposição, até mesmo as mais legalmente possíveis, com muita cautela.
Existem grandes riscos, não apenas para sua reputação como um líder
democrático, mas para sua virtude e seu compromisso com a democracia.
A tentação totalitária é muito forte, e sempre há pessoas interessadas
em ampliar o significado de democracia para incluir um vasto número de
práticas despóticas (Corazón Aquino).
Amplie a discussão incluindo outras influências possíveis sobre a independência
editorial e sugira como essas influências indevidas poderiam ser prevenidas.
◾ Discuta o significado de uma lei definida em termos estritos.
UNIDADE 3: A INTERAÇÃO COM AS
MíDIAS E OUTROS PROVEDORES DE
INFORMAÇÃO, COMO BIBLIOTECAS,
ARQUIVOS E INTERNET
▶ DURAçãO: 2 horas
PRINCIPAIS TÓPICOS
◾ Como as mídias veiculam significado
◾ A questão da representação: como as mídias e outros provedores de informação
apresentam informações, pessoas, culturas, imagens, lugares etc.
◾ O papel dos usuários, dos cidadãos e dos públicos
◾ O engajamento das mídias na produção de conteúdos pelos usuários70
Módulo 1
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Após completar esta unidade, os professores estarão em condições de realizar as seguintes
atividades:
◾ entender e descrever os conceitos centrais usados pelas mídias e por outros provedores
de informação;
◾ entender como o conhecimento desses conceitos ajudará usuários e cidadãos a
interagir criticamente com as mídias e outros provedores de informação.
ABORDAGENS E ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
Um aspecto central da alfabetização midiática é o entendimento de como as mídias
constroem diferentes tipos de histórias, como direcionam as informações ao apresentá-las
e que técnicas utilizam para organizar os materiais que, de outra forma, seriam desconexos
e de difícil compreensão. É importante compreender basicamente as diferentes técnicas
empregadas pelas mídias e os códigos que elas usam, bem como saber interpretá-los.
Também pode ser relevante considerar quem está produzindo e organizando os materiais,
e o quão ativos ou interativos são os consumidores das mídias e das informações – se suas
próprias percepções determinam ou não a maneira como a informação é apresentada.
Em relação à AMI, as seguintes áreas centrais devem ser examinadas detalhadamente
para que se compreenda como as mídias e outros provedores de informação operam,
como transmitem significados, como podem ser usados e como as informações por eles
apresentadas podem ser avaliadas. As seguintes áreas também embasam os próximos
módulos deste Currículo de AMI:
LINGUAGENS EM MÍDIA E INFORMAçãO
◾ Como os produtores de um texto de mídia utilizam diferentes técnicas ou maneiras de
representar diferentes tipos de informação a ser comunicada?
◾ Como esses usos são identificados e aceitos pelo público em geral?
◾ Quais são os códigos e as convenções, as principais características ou a gramática de
uma mídia em particular?
◾ Um comentarista de mídia, Marshall McLuhan, escreveu que “o meio é a mensagem”7
,
significando que o próprio meio – impresso, digital, de radiodifusão ou via internet – afeta
a maneira como entendemos o mundo. Como a escolha das mídias influencia o tipo de
informação que recebemos? Como isso molda a mensagem transmitida pela mídia?
A REPRESENTAçãO NAS MÍDIAS E NA INFORMAçãO
◾ Examine imagens ou representações de mídia.
◾ Analise uma imagem ou texto de mídia.
◾ Analise o contexto.
7 McLUHAN; FIORE. The Medium is the Message: an inventory of effects. Essex, UK: Penguin Modern Classics, 1967.71
Módulo 1
◾ Quem se beneficia da aceitação das representações da mídia, e quem sai perdendo?
◾ Como essas imagens influenciam a maneira de vermos a nós mesmos e aos outros?
◾ Como elas influenciam nosso conhecimento e nossa compreensão do mundo alheio a
nossa experiência imediata?
◾ Como elas influenciam nossas visões sobre igualdade de gênero, empoderamento das
mulheres, pessoas com deficiências, povos indígenas e minorias étnicas?
◾ Examine em que medida a independência editorial reflete-se no texto da mídia.
CONTEÚDOS DE PRODUçãO E CONTEÚDOS
GERADOS PELOS USUÁRIOS
◾ Aqui, são importantes as noções de ação humana – quem está criando os textos sobre
mídia e informação e por quê?
◾ Conexões com os direitos à comunicação e à expressão para os cidadãos e profissionais.
◾ Conexões com liberdade de expressão, cidadania ativa e alfabetização midiática e
informacional.
◾ Consideram-se aqui recursos (humanos, financeiros, tecnológicos etc.) e regulações.
O PÚBLICO COMO CIDADãOS E USUÁRIOS/
CONSUMIDORES
◾ Públicos alvo e ativo.
◾ Cidadãos ativos e usuários/consumidores negociando seus próprios significados com
base naquilo que trazem a um texto.
◾ Os públicos têm expectativas sobre as indústrias de mídia com base nos critérios de
transparência, prestação pública de contas e justiça.
◾ Os usuários/consumidores têm necessidades pessoais, econômicas, sociais e culturais
de informação.
OS CIDADãOS COMO USUÁRIOS/CONSUMIDORES
DE SERVIçOS PRESTADOS PELOS PROVEDORES DE
INFORMAçãO
◾ Como os provedores de informação selecionam as fontes e os principais critérios de
seleção?
◾ Como os provedores de informação, como bibliotecas, assinam ou adquirem fontes de
informação, por exemplo, livros, periódicos e bases de dados?
◾ Como os provedores de informação, incluindo os provedores públicos e privados de
informação pela internet, são financiados?
◾ Como os provedores de informação geram renda a partir dos serviços de informação?
QUESTÕES CENTRAIS
◾ Qual é o propósito do texto de mídia/informação?
◾ Como ele é produzido?72
Módulo 1
◾ Quem o criou?
◾ A qual público ele se direciona? Como você sabe?
◾ Qual é a principal mensagem?
◾ Quem se beneficia e quais são os ganhos?
◾ Quais são as minhas necessidades de informações?
◾ Como posso identificar e definir essas necessidades?
◾ As informações das quais necessito estão disponíveis no formato desejado? Caso
contrário, que curso de ação posso seguir?
◾ Como entender, organizar e avaliar as informações encontradas?
◾ Como posso apresentar essas informações em formatos utilizáveis?
◾ Como posso preservar, armazenar e reutilizar as informações de registros e arquivos?
— ATIVIDADES
◾ Selecione um texto relacionado a mídia e informação e aplique as questões listadas
acima. O que você pode aprender sobre a produção e as indústrias de mídia, as
mensagens transmitidas e o público-alvo?
◾ Pense sobre uma atividade pessoal ou econômica que você gostaria de realizar. Escreva
isso em um papel. Aplique as questões acima, começando com quais são as minhas
necessidades de informação?
◾ Redija uma lista de todas as atividades que você realiza durante o dia, do momento
em que levanta até a hora de dormir. Analise-as em pequenos grupos: você precisa
de informações para participar dessas atividades? Escreva junto a cada atividade as
informações das quais você necessita. Por exemplo, você precisa saber a temperatura
local para se vestir; você precisa saber como está a situação do tráfego antes de pegar
o ônibus; você precisa saber sobre a economia para que possa decidir se pedirá um
empréstimo. E assim por diante. Discuta a importância da informação em sua vida
diária. Quantas decisões seriam difíceis de tomar sem as informações necessárias?
◾ Valendo-se de uma biblioteca ou da internet, pesquise alguns dos principais programas
de rádio e televisão, filmes ou anúncios do ano anterior. Que tópicos da lista acima
foram importantes para o sucesso dessas obras? Descreva as maneiras como um ou
mais dos tópicos acima são enfatizados por esse(s) exemplo(s).
◾ Explique por que os jornalistas deveriam ter o direito de não revelar as fontes das suas
informações a outras pessoas além dos seus editores.
◾ Discuta a afirmação: O jornalismo é uma disciplina de verificação.
UNIDADE 4:AMI, ENSINO E APRENDIZAGEM
▶ DURAçãO: 2 horas
PRINCIPAIS TÓPICOS
Compreensão básica da AMI e do processo de ensino e aprendizagem.
◾ Abordagens pedagógicas para a AMI
◾ O ensino da AMI e o ensino por meio da AMI73
Módulo 1
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Após completar esta unidade, os professores estarão em condições de realizar as seguintes
atividades:
◾ identificar as maneiras como a AMI pode aprimorar o processo de ensino e aprendizagem;
◾ explorar as abordagens pedagógicas associadas à AMI;
◾ desenvolver atividades específicas que utilizem essas abordagens pedagógicas.
ABORDAGENS E ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
Abordagens pedagógicas ao ensino da AMI
ABORDAGEM INVESTIGATIVA
A abordagem investigativa é uma abordagem de aprendizagem centrada no estudante,
cujo foco de investigação está nas questões relacionadas à alfabetização midiática e
informacional na sociedade contemporânea. Ela incorpora muitas das características
associadas à aprendizagem investigativa, à solução de problemas e à tomada de decisões,
sendo que os aprendizes assimilam novos conhecimentos e habilidades por meio dos
seguintes estágios de investigação: identificação da questão; reconhecimento das atitudes
e das crenças subjacentes; esclarecimento dos fatos e princípios existentes implícitos na
questão; localização, organização e análise de evidências; interpretação e resolução da
questão; ação e reconsideração das consequências e dos resultados de cada fase. É um
método apropriado para o ensino da AMI, uma vez que os estudantes terão oportunidades
de explorar as questões. Esses são alguns exemplos da abordagem investigativa para a
AMI: explorar representações de gênero e raça pela análise da mídia; explorar a questão
da privacidade e das mídias por meio da análise de documentos primários e secundários; e
explorar a realidade do cyber-bullying por meio da pesquisa etnográfica.
APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS (ABP)
A aprendizagem baseada em problemas é um sistema instrucional e de desenvolvimento
curricular que simultaneamente desenvolve as bases do conhecimento e as habilidades
interdisciplinares dos estudantes, o raciocínio crítico e as estratégias de solução de problemas.
Originou-se na Faculdade de Medicina da Universidade McMaster em Ontário, Canadá. Tratase de um método de aprendizagem altamente estruturado e cooperativo, que visa a aprimorar
tanto o conhecimento individual quanto o coletivo, engajando os estudantes na investigação
crítica aprofundada de problemas verídicos. Os objetivos de aprendizagem, as questões, os
métodos de investigação e os resultados são todos administrados pelos estudantes. Um
exemplo de aprendizagem baseada em problemas no domínio da AMI inclui a elaboração de
uma campanha de marketing social para um público específico.
INVESTIGAçãO CIENTÍFICA
A investigação científica refere-se a uma série de técnicas que os cientistas usam para
explorar o mundo natural e propor explicações com base nas evidências encontradas. O
processo de investigação é frequentemente expresso como um conjunto simplificado 74
Módulo 1
de passos denominado ciclo de investigação, que envolve atividades como observação;
elaboração de perguntas; revisão do conhecimento já existente; planejamento de
investigações; revisão dos conhecimentos anteriores à luz das evidências experimentais;
utilização de ferramentas para reunir, analisar e interpretar dados; proposição de
explicações; e comunicação de resultados. Este método também pode ser adaptado para
o ensino da alfabetização midiática e informacional. Investigar o impacto da violência na
mídia e os papéis das comunidades online são alguns exemplos de investigação científica.
ESTUDO DE CASO
O método conhecido como estudo de caso envolve um exame aprofundado de um único
evento ou situação. Ele é muito praticado na Harvard Business School, onde os estudantes
universitários usam incidentes verídicos para avaliarem como o conhecimento teórico
pode ser aplicado a casos reais. Essa abordagem é pertinente no ensino da AMI, pois
os estudantes estão diariamente expostos a diversas formas de mensagens de mídia.
Ela proporciona uma maneira sistemática de observar eventos, coletar dados, analisar
informações e reportar os resultados, que à sua vez contribuem para a aprendizagem
investigativa entre os alunos. Os estudantes desenvolvem maior compreensão de como
e em quais condições os eventos e as situações acontecem. O estudo de caso também é
útil para gerar e testar hipóteses. Por exemplo, os estudantes podem realizar um estudo de
caso de uma estratégia de campanha de marketing e lançar um filme de sucesso, um livro
campeão de vendas ou outro produto de mídia de amplo alcance.
APRENDIZAGEM COLABORATIVA
A aprendizagem colaborativa refere-se à abordagem instrutiva que estimula os estudantes a
trabalharem conjuntamente para alcançar metas compartilhadas. A aprendizagem colaborativa
pode incluir desde um simples trabalho em dupla até modalidades mais complexas, como a
aprendizagem de projetos, a técnica jigsaw, o questionamento entre os pares e o ensino
recíproco, todos visando a produzir ganhos de aprendizagem, como o desenvolvimento da
compreensão conceitual e do pensamento complexo, de melhores habilidades interpessoais,
de atitudes mais positivas dos estudantes em relação às escolas e a si mesmos e da habilidade
de como lidar com a heterogeneidade acadêmica nas salas de aula, tendo em vista que já houve
a plena superação das habilidades básicas. Este é um método apropriado na aprendizagem e
no ensino da educação midiática, pois requer o compartilhamento de ideias e a aprendizagem
mútua. Um exemplo de aprendizagem colaborativa é o trabalho compartilhado em um
espaço wiki.
ANÁLISE DE TEXTOS
Os estudantes aprendem a realizar a análise de textos por meio da identificação dos
códigos e das convenções de diversos gêneros de mídia. Pela análise semiótica, é possível
aumentar a compreensão dos conceitos principais. Por exemplo, os estudantes aprendem
a identificar como os códigos e as convenções de linguagem são usados para criar tipos
específicos de representações que terão apelo a certos públicos. Os estudantes aprendem
a identificar os códigos técnicos, simbólicos e narrativos de qualquer texto de mídia. Sempre
que possível, esse tipo de análise de texto ocorre dentro de contextos significativos, em
vez de ser meramente um exercício acadêmico para seus próprios fins.
Exemplo: pede-se aos alunos que selecionem um texto de mídia que seja do seu interesse.
Esse texto pode ser um artigo, um vídeo do YouTube ou um videoclipe de uma fonte de 75
Módulo 1
informação online. Em seguida, os alunos formam grupos e analisam o público, o propósito,
o autor, as características técnicas/textuais e o contexto.
ANÁLISE DE CONTEXTO
Os estudantes aprendem a realizar análises básicas de contexto, particularmente em
relação aos conceitos centrais a respeito das mídias e de outros provedores de informação,
mas também em relação a uma série de abordagens teóricas de AMI. Exemplos de análises
de contexto e pedagogia incluem o auxílio a estudantes na aprendizagem sobre os sistemas
de classificação de filmes, programas de televisão e videogames em vigor no seu país, ou
sobre como a propriedade e a concentração das mídias estão relacionadas às questões da
democracia e da liberdade de expressão.
TRADUçÕES
Com esta abordagem, os estudantes obtêm as informações apresentadas em um meio e a
convertem ou traduzem para outro meio. Por exemplo, podem realizar as seguintes atividades:
◾ converter um artigo de jornal que eles tenham escrito sobre um fato na universidade
em uma história de rádio para transmissão digital;
◾ assistir a um rápido trecho de um filme infantil e, em pequenos grupos, desenhar
roteiros de imagens que correspondam à cena, identificando os planos, os ângulos e as
transições utilizadas;
◾ converter um conto de fadas em um roteiro de imagens para ser filmado;
◾ coletar uma série de materiais visuais relacionados à vida de uma pessoa e usá-los como
o ponto de partida para o planejamento e a realização de um pequeno documentário.
SIMULAçÕES
As simulações são frequentemente usadas como uma estratégia nas unidades curriculares
de filmes e mídia. Os tutores usam simulações para demonstrar aos alunos como a
aprendizagem midiática é feita. Ou seja, o tutor assume o papel de um professor na sala de
aula, e os aprendizes atuam como alunos experientes, pelo menos enquanto participam das
atividades. Essa estratégia é discutida com os estudantes como um processo pedagógico.
As simulações podem ser realizadas das seguintes maneiras:
◾ os estudantes assumem os papéis de uma equipe de produção de um documentário
direcionado ao público jovem;
◾ os estudantes assumem o papel de jornalistas de rádio ou da internet que estão
investigando sobre ensino midiático e precisam entrevistar um professor atuante nessa
área, editando uma transmissão digital a partir da entrevista;
◾ os estudantes assumem o papel de uma equipe de marketing de uma universidade
realizando um vídeo promocional para alunos interessados em entrar na vida universitária.76
Módulo 1
PRODUçãO
Esta abordagem implica a aprendizagem pela prática, que é um importante aspecto da
assimilação de conhecimentos no século XXI. Os estudantes devem ser levados a explorar
a aprendizagem em um nível mais profundo e significativo. A produção de conteúdos de
mídia e informação oferece aos estudantes a oportunidade de realizarem uma imersão na
aprendizagem por meio da exploração e da ação. Com a produção de textos de mídia (por
exemplo, arquivos de áudio, vídeo ou impressos), os estudantes têm condições de explorar
sua criatividade e de expressar-se com suas próprias vozes, ideias e perspectivas.
Como exemplo, cita-se o uso, pelos estudantes, de programas como o iMovie ou o
Moviemaker (ou quaisquer outros programas abertos semelhantes) para realizar uma
reportagem digital de um minuto sobre uma questão ambiental ou qualquer outro tema
de interesse.
— ATIVIDADES
◾ Pedir aos professores para identificar e descrever exemplos de qualquer uma das
dez abordagens pedagógicas de ensino de AMI listadas acima, com as quais estejam
familiarizados, e fazer com que identifiquem os componentes centrais que as tornam
eficazes no ensino e na aprendizagem da AMI.
◾ Com o trabalho em grupo, orientar os professores no desenvolvimento de atividades
que ilustrem essas estratégias em seu próprio trabalho.
FONTES DE INFORMAçãO PARA ESTE MÓDULO8
◾ BANDA, Fackson. Civic Education for Media Professionals: a training manual. Paris: UNESCO,
2009. Disponível em: .
8
◾ HORTON JR., Forest Woody. Understanding Informational Literacy: a primer. Paris: UNESCO,
2008. Disponível em: .
◾ BIG6. Information and Technology Skills for Student Success. Disponível em: big6.com>.
◾ UNESCO. Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a avaliação do
desenvolvimento dos meios de comunicação. Brasília: UNESCO, 2008. Disponível em:

◾ UNIVERSITY OF MISSOURI. Reynolds Journalism Institute. Committee of Concerned
Journalists (CCJ). Disponível em:
◾ PEW’S RESEARCH CENTER. Journalism.org. Disponível em: org/resources/principles>.
◾ FRAU-MEIGS, Divina (Ed.). Media Education: a kit for teachers, students, parents and
professionals, Paris: UNESCO, 2006. Disponível em: images/0014/001492/149278e.pdf>.
◾ CATTS, Ralph; LAU, Jesus. Towards Information Literacy Indicators: Conceptual
Framework Paper. Montreal: UNESCO-UIS, 2008. Disponível em:  org/template/pdf/cscl/InfoLit.pdf>.
8 NT: Documentos e sites em inglês.77
Módulo 2

Alfabetização midiática e informalização - UNESCO


Introdução  16
A unificação das noções de alfabetização
midiática e informacional  18
Benefícios e requisitos da AMI  20
Principais tópicos do Currículo de
AMI para Formação de Professores  21
A matriz curricular  22
Política e visão  24
Conhecimentos sobre mídia e informação
para o discurso democrático e a participação social  25
Avaliação midiática e informacional  27
Produção e uso das mídias e da informação  28
Competências centrais para professores  29
Pedagogias no ensino e na aprendizagem da AMI:
o uso do currículo  35
Apêndice:
Fontes selecionadas em alfabetização midiática e informacional  3916
INTRODUÇÃO
O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de
opinar livremente e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer
meios, independentemente de fronteiras”. A alfabetização midiática e informacional (AMI)
proporciona aos cidadãos as competências necessárias para buscar e usufruir plenamente dos benefícios desse direito humano fundamental.
Esse direito é reforçado pela Declaração de Grünwald, de 1982, que reconhece a necessidade
de os sistemas políticos e educacionais promoverem a compreensão crítica, pelos cidadãos,
dos “fenômenos da comunicação” e sua participação nas (novas e antigas) mídias. O direito
também é reforçado pela Declaração de Alexandria, de 2005, que coloca a alfabetização midi-
ática e informacional no centro da educação continuada. Ela reconhece como a AMI
empodera as pessoas de todos os estilos de vida a procurar, avaliar, usar
e criar a informação de forma efetiva para atingirem suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. Trata-se de um direito humano
básico em um mundo digital que promove a inclusão social em todas as
nações1
.
As mídias e outros provedores de informação, como bibliotecas, arquivos e internet, são
amplamente reconhecidos como ferramentas essenciais para auxiliar os cidadãos a tomarem decisões bem informadas. São também os meios pelos quais as sociedades aprendem
sobre elas mesmas, mantêm discursos públicos e constroem um sentido de comunidade.
Os canais de mídia e demais TICs2
 podem ter um grande impacto sobre a educação continuada, e, por isso, os cidadãos precisam de um conhecimento básico sobre as funções
das mídias e de outros provedores de informação e sobre como acessá-los. O propósito
da alfabetização midiática e informacional é transmitir esse conhecimento aos usuários.
A alfabetização midiática e informacional incorpora conhecimentos essenciais sobre (a) as
funções da mídia, das bibliotecas, dos arquivos e de outros provedores de informação em sociedades democráticas; (b) as condições sob as quais as mídias de notícias e os provedores
de informação podem cumprir efetivamente essas funções; e (c) como avaliar o desempenho
dessas funções pela avaliação dos conteúdos e dos serviços que são oferecidos. Esse conhecimento, por sua vez, deveria permitir que os usuários se engajassem junto às mídias e aos
canais de informação de uma maneira significativa. As competências adquiridas pela alfabetização midiática e informacional podem equipar os cidadãos com habilidades de raciocínio
crítico, permitindo que eles demandem serviços de alta qualidade das mídias e de outros provedores de informação. Conjuntamente os cidadãos fomentam um ambiente propício em que
as mídias e outros provedores de informação possam prestar serviços de qualidade.
Em função de sua ubiquidade geográfica e cultural, as mídias de notícias assumem claramente um lugar mais proeminente do que outras mídias nessa matriz curricular e de compe-
1 NATIONAL FORUM ON INFORMATION LITERACY, BEACONS OF THE INFORMATION SOCIETY, Alexandria, 9 Nov.
2005. The Alexandria Proclamation on Information Literacy and Lifelong Learning. Alexandria: IFLA, UNESCO, 2005.
2 Nota de Tradução (NT): Tecnologias da informação e comunicação (TICs) e novas mídias são os termos mais comumente
usados para descrever os aparatos que veiculam conteúdo multimodal digital e permitem comunicação de duas vias. Meios
de comunicação de massa é a expressão mais comumente usada para descrever a radiodifusão, que veicula imagem e som e
permite a comunicação de uma via.17
tências. Elas representam um sistema multifacetado de fluxos de informações. Como uma
instituição, as mídias de notícias têm funções específicas a cumprir de acordo com as expectativas das sociedades democráticas. Tradicionalmente, as mídias de radiodifusão – devido
à sua ubiquidade e à escassez do espectro de transmissões – têm sido reguladas de modo
a garantir o equilíbrio, ao passo que as mídias impressas não sofrem tal regulação. Têm-se
desenvolvido sistemas de autorregulação nas mídias de notícias como uma alternativa à
regulação estatal, a fim de proporcionar alguma prestação de contas ao interesse público.
Esse sistema de autorregulação remonta a alguns valores e princípios éticos específicos.
Como tal, o público tem uma expectativa específica sobre as mídias de notícias, fazendo
com que elas estejam sujeitas à crítica pública caso não desempenhem seu papel de acordo com essa expectativa. Assim, essa matriz constitui-se em uma lente por meio da qual
as mídias de notícias podem ter avaliadas suas funções, as condições em que desempenham essas funções e a forma como o público apropria-se de suas transmissões.
O fortalecimento da AMI entre os alunos requer que os próprios professores sejam alfabetizados em mídia e informação. O trabalho inicial com professores é a estratégia
central para se alcançar um efeito multiplicador: de professores alfabetizados em termos informacionais para seus alunos e, eventualmente, para a sociedade em geral. Os
professores alfabetizados em conhecimentos e habilidades midiáticas e informacionais
terão capacidades aprimoradas de empoderar os alunos em relação a aprender a aprender,
a aprender de maneira autônoma e a buscar a educação continuada. Educando os alunos
para alfabetizarem-se em mídia e informação, os professores estariam respondendo, em
primeiro lugar, a seu papel como defensores de uma cidadania bem informada e racional;
e, em segundo lugar, estariam respondendo a mudanças em seu papel de educadores, uma
vez que o ensino desloca seu foco central da figura do professor para a figura do aprendiz.
Os professores mais provavelmente adotarão o Currículo de AMI se este estiver relacionado às estratégias pedagógicas que melhoram a forma de ensinar matérias escolares tradicionais. O fomento das mudanças no setor educacional que resultariam da introdução da
AMI e seu impacto sobre o desenvolvimento profissional de professores são importantes
metas desta Matriz Curricular e de Competências.18
A UNIFICAÇÃO DAS NOÇÕES
DE ALFABETIZAÇÃO
MIDIÁTICA E INFORMACIONAL
A Matriz Curricular e de Competências em AMI da UNESCO combina duas áreas distintas
– a alfabetização midiática e a alfabetização informacional – em um único conceito: alfabetização midiática e informacional. Ela vai além daquilo que as terminologias significam
individualmente, tal como mostra a Figura 1, alcançando uma noção unificada que incorpora elementos tanto da alfabetização midiática quanto da alfabetização informacional3
,
transmitindo os propósitos e os objetivos da AMI.
Figura 1: Resultados e elementos da alfabetização midiática e informacional4
Alfabetização informacional
Definição e
articulação de
necessidades
informacionais
Localização e
acesso à informação
Acesso à informação
Organização da
informação
Uso ético da
informação
Comunicação
da informação
Uso das habilidades de TICs no
processamento
da informação
Alfabetização midiática5
Compreensão do papel
e das funções das
mídias em sociedades
democráticas
Compreensão das condições sob as quais as
mídias podem cumprir
suas funções
Avaliação crítica do
conteúdo midiático
à luz das funções da
mídia
Compromisso junto às
mídias para a autoexpressão e a participa-
ção democrática
Revisão das habilidades (incluindo as TICs)
necessárias para a
produção de conteú-
dos pelos usuários
Por um lado, a alfabetização informacional enfatiza a importância do acesso à informação
e a avaliação do uso ético dessa informação. Por outro, a alfabetização midiática enfatiza
a capacidade de compreender as funções da mídia, de avaliar como essas funções são desempenhadas e de engajar-se racionalmente junto às mídias com vistas à autoexpressão. A
Matriz Curricular e de Competências em AMI para formação de professores incorpora ambas
as ideias. Diversas definições ou conceitos de educação em alfabetização midiática e alfabetização informacional apontam para competências que enfatizam o desenvolvimento de habilidades a partir de investigações e a capacidade de engajamento significativo junto às mídias
e aos canais de informação independentemente das tecnologias usadas.
Existem duas escolas principais de pensamento emergindo sobre a relação entre estes
campos convergentes, a alfabetização midiática e a alfabetização informacional. Para
alguns, a alfabetização informacional é considerada um campo mais amplo de estudos,
3 NT: No Brasil, os termos alfabetização e letramento são usados em referência a habilidades de leitura e escrita. Este
documento não irá tratar das nuances dessas duas expressões. Os editores optaram pelo termo alfabetização para
aproximar-se da expressão que tem sido usada em língua espanhola e praticada na Espanha e em países da América:
alfabetización informacional, ou ALFIN.
4 Adaptado de Ralph Catts e Jesus Lau (2008).
5 Aqui, as habilidades de TICs ou a alfabetização digital não foram destacadas propositalmente. A intenção não é atribuir
menor importância às TICs, e sim reconhecer que essa questão já foi suficientemente abordada pela série da UNESCO
“Padrões de competência em TIC para professores”, de 2008.19
AMI
Alfabetização
informacional
Alfabetização
midiática
Alfabetização
publicitária
Alfabetização no
acesso a notícias
Alfabetização
televisiva
Alfabetização
cinematográ ca
Alfabetização
no uso de jogos
Alfabetização no
uso da internet
Alfabetização
computacional
Alfabetização
digital
Liberdade
de expressão
e alfabetização
informacional
Alfabetização no
uso de bibliotecas
incluindo a alfabetização midiática; para outros, a alfabetização informacional é apenas
uma parte da alfabetização midiática, que, por sua, vez é vista como o campo mais amplo.
Entretanto, um grupo de especialistas internacionais reunido pela UNESCO apontou as
distinções, bem como as semelhanças, entre as mídias e outros provedores de informa-
ção. Considerem-se as seguintes terminologias usadas por diversos atores no mundo todo.
Figura 2: A ecologia da AMI: noções de AMI
◾ Alfabetização midiática
◾ Alfabetização informacional
◾ Liberdade de expressão e alfabetização
informacional
◾ Alfabetização no uso de bibliotecas
◾ Alfabetização no acesso a notícias
◾ Alfabetização computacional
◾ Alfabetização no uso da internet
◾ Alfabetização digital
◾ Alfabetização cinematográfica
◾ Alfabetização no uso de jogos
◾ Alfabetização televisiva, alfabetização
publicitária
Existem relações óbvias entre essas noções (ver Figura 2). Nem todas essas ligações são
explicadas neste documento. Algumas delas, porém, estão entre as atividades relacionadas
no módulo introdutório (módulo 1) do Currículo de AMI produzido pela UNESCO. Vale destacar que, à medida que os professores adquirirem mais conhecimento sobre a AMI, eles se
depararão com esses termos e, pelo menos, estarão familiarizados com eles. Muitas dessas
terminologias continuam sendo objeto de discussão e são aplicadas de maneiras distintas,
dependendo do contexto profissional ou da prática cultural das comunidades às quais pertencem seus usuários. Globalmente, muitas organizações usam a expressão mídia-educação
(ME), que às vezes é aceita como um conceito que abrange tanto a alfabetização midiática
quanto a alfabetização informacional. O uso que a UNESCO faz da expressão AMI busca
harmonizar as diferentes noções à luz de plataformas convergentes de utilização.
Esta Matriz Curricular e de Competências em AMI é um modelo que a UNESCO busca usar para
prover sistemas de educação de professores em países desenvolvidos e em desenvolvimento
com uma matriz capaz de construir um programa de formação para professores alfabetizados
em mídia e informação. A UNESCO também antevê que os educadores revisarão a matriz e
assumirão o desafio de participar do processo coletivo de adaptar e enriquecer o currículo como
um documento vivo. Por esse motivo, o currículo focaliza apenas as competências e as habilidades centrais requeridas que possam ser consistentemente integradas à educação já existente
de professores, sem sobrecarregar demais os (já sobrecarregados) professores em formação.20
BENEFÍCIOS E
REQUISITOS DA AMI
A alfabetização midiática e informacional aprimora a capacidade das pessoas de
usufruírem de seus direitos humanos fundamentais, em especial os expressos no Artigo
19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo o qual “Todo ser humano
tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por
quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.6
Os principais benefícios da AMI estão expressos a seguir:
1. no processo de ensino e aprendizagem, equipa os professores com um conhecimento
aprimorado que contribuirá com o empoderamento dos futuros cidadãos;
2. a alfabetização midiática e informacional transmite conhecimentos cruciais sobre as
funções das mídias e dos canais de informação nas sociedades democráticas. Além
disso, fornece uma compreensão razoável sobre as condições necessárias para cumprir
essas funções efetivamente e as habilidades requeridas para avaliar o desempenho das
mídias e dos provedores de informação à luz das funções esperadas;
3. uma sociedade alfabetizada em mídia e informação promove o desenvolvimento de
mídias livres, independentes e pluralistas, e de sistemas abertos de informação.
A fim de usufruir dos benefícios da AMI, são necessários os seguintes requisitos.
1. a alfabetização midiática e informacional deve ser considerada como um todo e deve
incluir uma combinação de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes);
2. o currículo da AMI deve permitir que os professores ensinem a alfabetização midiática
e informacional aos alunos com o objetivo de prover-lhes as ferramentas essenciais
para que eles possam engajar-se junto às mídias e aos canais de informação como
jovens cidadãos autônomos e racionais;
3. os cidadãos devem ter conhecimentos sobre a localização e o consumo de informações,
bem como sobre a produção de informações;
4. as mulheres, os homens e os grupos marginalizados, como as pessoas com deficiências,
os povos indígenas ou as minorias étnicas, devem ter acesso igualitário à informação e
ao conhecimento;
5. a AMI deve ser vista como uma ferramenta essencial para facilitar o diálogo intercultural,
a compreensão mútua e a compreensão cultural entre os povos.
6 NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. New York: ONU, 1948. Disponível em: unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf>.21
PRINCIPAIS TÓPICOS
DO CURRÍCULO DE AMI
PARA FORMAÇÃO DE
PROFESSORES
A Matriz Curricular e de Competências em AMI deve ser interpretada à luz dos contextos
específicos em que o referencial será utilizado. Nesse sentido, ela é uma ferramenta flexível
que pode ser adaptada a diferentes contextos nacionais. Basicamente, a matriz curricular
apresenta uma estrutura para o desenvolvimento de um programa de estudos sobre
alfabetização midiática e informacional, em meio a diferentes níveis de engajamento junto
às mídias e aos canais de informação. As competências identificam os conhecimentos, as
habilidades e a atitude que devem ser desenvolvidos com o currículo.
De modo geral, o Currículo de AMI incluído nesta publicação visa a auxiliar os professores
a explorar e compreender a AMI, abordando os seguintes pontos:
◾ as funções das mídias e de outros provedores de informação; como eles operam e quais são as
condições ótimas necessárias para o cumprimento eficaz dessas funções;
◾ como a informação apresentada deve ser criticamente avaliada dentro do contexto específico e
amplo de sua produção;
◾ o conceito de independência editorial e jornalismo como uma disciplina de verificação;
◾ como as mídias e outros provedores de informação poderiam contribuir racionalmente para
promover as liberdades fundamentais e a aprendizagem continuada, especialmente à medida que
eles relacionam como e por que os jovens acessam e usam as mídias e a informação hoje, e como
eles selecionam e avaliam esses conteúdos;
◾ ética nas mídias e ética na informação;
◾ as capacidades, os direitos e as responsabilidades dos indivíduos em relação às mídias e à
informação;
◾ padrões internacionais (Declaração Universal dos Direitos Humanos), liberdade de informação,
garantias constitucionais sobre liberdade de expressão, limitações necessárias para impedir a
violação dos direitos do próximo (questões como linguagem hostil, difamação e privacidade);
◾ o que se espera das mídias e dos outros provedores de informação (pluralismo e diversidade
como normas);
◾ pontes de informação e sistemas de armazenamento e organização de dados;
◾ processos de acesso, busca e definição de necessidades informacionais;
◾ ferramentas de localização e busca de dados;
◾ como entender, organizar e avaliar informações, incluindo a confiabilidade das fontes;
◾ criação e apresentação de informações em diversos formatos;
◾ preservação, armazenamento, reutilização, gravação, arquivamento e apresentação de informações
em formatos utilizáveis;
◾ uso de informações para a resolução de problemas e para a tomada de decisões na vida pessoal,
econômica, social e política. Apesar de ser extremamente importante, este item representa uma
extensão da AMI que está muito além do escopo do presente currículo.22
A MATRIZ
CURRICULAR
Com base nas recomendações do grupo de especialistas da UNESCO sobre AMI7
 e nos
módulos desenvolvidos no currículo em consonância com a matriz, foram delineadas três
áreas temáticas centrais inter-relacionadas como as áreas curriculares amplas com base
nas quais o Currículo de AMI para Formação de Professores foi estruturado. São elas:
1. o conhecimento e a compreensão das mídias e da informação para os discursos
democráticos e para a participação social;
2. a avaliação dos textos de mídia e das fontes de informação;
3. a produção e o uso das mídias e da informação.
Essas três áreas foram ligadas a seis outras de educação geral e desenvolvimento de
professores, a fim de descrever sua progressiva relação e criar uma matriz curricular de
AMI para formação de professores pela UNESCO (ver Tabela 1).
A matriz curricular de AMI e os módulos curriculares que a acompanham são não prescritivos,
de modo a facilitar sua adaptação às estratégias globais, regionais e nacionais (para
mais informações, ver as seções “Processo de adaptação e estratégias de integração”
e a introdução da parte 2 desta publicação). Eles devem ser suficientemente flexíveis para
serem adaptados aos diferentes sistemas educacionais e institucionais e às necessidades
locais. Porém, a UNESCO considera que qualquer contato produtivo dos professores com
a AMI deve necessariamente incluir elementos que enfatizem as liberdades fundamentais,
como delineadas no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Qualquer que
seja a forma adaptada, o Currículo de AMI deve auxiliar a desenvolver a compreensão dos
professores sobre a importância dessas liberdades e desses direitos fundamentais como
partes da educação cívica, primeiro no ambiente da sala de aula e depois nos ambientes local
e global.
O Currículo de AMI é relevante em ambientes impressos e audiovisuais, incluindo jornais,
livros, meios de radiodifusão, como rádio e televisão, em meios de notícias online e em
outros provedores de informação. Assim, a formação de professores em AMI não deve
ser vista como algo reservado apenas àqueles que têm acesso a tecnologias avançadas.
É igualmente aplicável em contextos nos quais o uso de tecnologias avançadas é limitado.
7 Este documento baseia-se nas recomendações do grupo internacional de especialistas da UNESCO sobre currículos
de formação de professores em alfabetização midiática e informacional (2008).23
Tabela 1: A matriz curricular de AMI para formação de professores8
Dimensões curriculares
Áreas curriculares
centrais
Conhecimento das
mídias e da informação
para discursos
democráticos
Avaliação das mídias e
da informação
Produção e uso das
mídias e da informação
Política e visão Preparação de
professores alfabetizados
em mídia e informação
Preparação de
estudantes alfabetizados
em mídia e informação
Promoção de sociedades
alfabetizadas em mídia e
informação
Currículo e avaliação Conhecimentos sobre
mídia, bibliotecas, arquivos
e outros provedores de
informação, suas funções e
as condições necessárias
para seu desempenho
Compreensão dos
critérios para a avaliação
de textos de mídia e das
fontes de informação
Habilidades para explorar
como a informação e
os textos de mídia são
produzidos, o contexto
social e cultural da
informação e a produção da
mídia; usos pelos cidadãos;
e com quais propósitos
Pedagogia Integração das mídias
e da informação no
discurso da sala de aula
Avaliação de conteúdos
das mídias e de
outros provedores de
informação para a
resolução de problemas
Conteúdos gerados pelos
usuários e uso no ensino
e aprendizagem
Mídia e informação8
Mídias impressas – jornais
e revistas; provedores de
informação – bibliotecas,
arquivos, museus, livros,
periódicos etc.
Mídias transmitidas –
rádio e televisão
Novas mídias – internet,
redes sociais, plataformas
de exposição (computadores, celulares etc.)
Organização e
administração
Conhecimento de
organização na sala de aula
Colaboração por meio da
alfabetização midiática e
informacional
Aplicação da alfabetização
midiática e informacional à
educação continuada
Desenvolvimento
profissional dos
professores
Conhecimento de
AMI para a educação
cívica, participação na
comunidade profissional
e governança de suas
sociedades
Avaliação e
administração dos
recursos midiáticos
e informacionais
para a aprendizagem
profissional
Liderança e cidadania
modelo; o ponto ideal da
promoção e do uso da AMI
para o desenvolvimento
de professores e
estudantes
8 Nesta matriz curricular, as TICs foram substituídas por mídia e informação de modo a articular uma nova dimensão ou
uma adição aos seis componentes do sistema educacional. A intenção não é diminuir a importância das TICs, e sim
reconhecer que elas foram suficientemente abordadas pela série da UNESCO “Padrões de competência em TIC para
professores” (2008). 24
POLÍTICA E VISÃO
Serão necessárias políticas nacionais para garantir a inclusão sistemática e progressiva
da AMI em todos os níveis dos sistemas educacionais. O ponto de partida deve ser a
compreensão das políticas nacionais de educação, permitindo as leis sobre liberdade
de expressão e liberdade de informação, além de outros instrumentos internacionais
relacionados às liberdades e suas intersecções com as políticas de alfabetização midiática
e informacional. Onde não existem políticas de AMI, deve-se perguntar: que papel os
professores podem desempenhar em sua defesa? Caso já existam, quão relevantes ou
atualizadas elas são? Em que medida refletem os padrões internacionais e as melhores
práticas? Como podem ser atualizadas? Assim, um aspecto central do Currículo de AMI
é a discussão sobre a política e a visão da alfabetização midiática e informacional e suas
implicações para a educação em geral e a educação de professores em particular. Essa
discussão deve conduzir a uma análise da política, da visão e de como ambas relacionamse com a preparação de professores e estudantes alfabetizados em mídia e informação.
Por fim, ela deve chamar atenção para o papel dos professores na promoção de sociedades
alfabetizadas em mídia e informação.25
CONHECIMENTOS SOBRE
MÍDIA E INFORMAÇÃO
PARA O DISCURSO
DEMOCRÁTICO E A
PARTICIPAÇÃO SOCIAL
O objetivo desta ampla área temática é desenvolver a compreensão crítica de como as mídias e a
informação podem aprimorar a capacidade de professores, estudantes e cidadãos engajarem-se
às mídias e usarem bibliotecas, arquivos e outros provedores de informação como ferramentas
para a liberdade de expressão, o pluralismo, o diálogo e a tolerância intercultural que contribuam
para o debate democrático e a boa governança. A Figura 3, ao final desta seção, demonstra tal
relação. Esse tema envolve uma série de ações imbricadas relacionadas à função e à importância
das mídias e da informação, incluindo as descritas a seguir:
◾ proporcionar canais para que os cidadãos possam comunicar-se uns com os outros;
◾ disseminar histórias, ideias e informações;
◾ corrigir a assimetria de informações entre governantes e governados e entre agentes
privados que competem entre si;
◾ facilitar discussões informadas entre atores sociais diversos e encorajar a resolução de
disputas por meios democráticos;
◾ proporcionar os meios pelos quais a sociedade pode aprender sobre si mesma e construir
um sentido de comunidade;
◾ proporcionar um veículo de expressão cultural e coesão cultural dentro das nações e entre
as nações;
◾ agir como guardiãs, inspecionando as ações do governo em todas suas formas, promovendo
a transparência na vida pública e o escrutínio público dos ocupantes do poder, denunciando
a corrupção e os atos corporativos nocivos;
◾ trabalhar como ferramentas para aprimorar a eficiência econômica;
◾ facilitar o processo democrático e prestar auxílio em prol da garantia de eleições
livres e justas;
◾ agir como defensoras e atores sociais de direito próprio, respeitando os valores pluralistas
(por exemplo, as mídias de notícias);
◾ servir como repositórios da memória coletiva da sociedade (por exemplo, bibliotecas);
◾ preservar o patrimônio cultural;
◾ proporcionar canais de acesso à informação;
◾ realizar ações para promover a inclusão digital, proporcionando acesso ao público em geral;
◾ permitir que as bibliotecas sejam vistas como agências de informação e centros de fontes
de aprendizagem;
◾ promover o uso de todos os tipos de fontes de informação nas bibliotecas;
◾ facilitar o ensino, a aprendizagem e a aprendizagem da aprendizagem (alfabetização
informacional) por meio de bibliotecas acadêmicas;
◾ educar os usuários de bibliotecas.
(Adaptado da publicação “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a
avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”, de 2008). 26
Os pilares fundamentais da boa governança – transparência, prestação pública de contas
e participação cívica – dificilmente são alcançados sem mídias e sistemas de informação
abertos. Esses sistemas podem servir para fomentar uma sociedade civil ou uma cultura
cívica dinâmica. Essas funções de serviços incluem:
◾ prover informações e conhecimentos compreensíveis e relevantes para diferentes
grupos de pessoas;
◾ inspirar a lealdade e o compromisso amparado em valores e procedimentos que
sustentam a democracia e a boa governança.
O Currículo de AMI fornece aos professores os conteúdos necessários para o desenvolvimento
de habilidades que lhes permitam integrar a alfabetização midiática e informacional às suas
práticas de sala de aula de uma maneira que valorize as vozes dos estudantes e seja sensível
à representação de gênero. Questiona-se aqui como promover o engajamento às mídias e às
fontes de informação para permitir a autoexpressão e para multiplicar as vozes individuais,
de modo a desenvolver diferentes visões e perspectivas.
As mídias e os provedores de informação disponibilizam plataformas para ampliar a
participação na aprendizagem profissional. Em alguns países, elas podem até mesmo ser
usadas para o ensino aberto e a distância (EAD) e para o desenvolvimento profissional
continuado (DPC) de professores. O currículo explora como as diferentes fontes midiáticas
e informacionais podem ser usadas para aprimorar a participação dos professores em suas
próprias comunidades profissionais. Professores que trabalham em diferentes contextos
sociais e localidades geográficas poderão compartilhar conhecimentos e informações
sobre a aprendizagem e a prática profissional.
Figura 3: A AMI e sua importância para a democracia e a boa governança
Cidadania
alfabetizada em
mídia e informação
Democracia e
boa governança
As mídias e
outros provedores
de informação27
AVALIAÇÃO MIDIÁTICA
E INFORMACIONAL
A solução de problemas e o pensamento crítico estão no centro da aprendizagem em
todas as disciplinas escolares, bem como em nosso cotidiano. Os problemas tornam-se
oportunidades de avaliação crítica dos textos de mídia e das informações de diversas fontes.
O objetivo aqui é aumentar a capacidade dos professores para avaliar as fontes e acessar
informações a partir de funções específicas do serviço público normalmente atribuídas à
mídia, às bibliotecas, aos arquivos e a outros provedores de informação. Outro objetivo é
equipar os professores com o conhecimento das ações que podem ser realizadas quando
esses sistemas desviam-se de seus papéis esperados. Os professores devem estar em
condições de analisar e entender como o conteúdo das mídias e outras informações é
produzido, como as informações apresentadas por esses sistemas podem ser avaliadas
e como as mídias e a informação podem ser usadas para diferentes propósitos. Além
disso, os professores devem estar em condições de explorar a questão da representação
em diversos sistemas de mídia e em relação às TICs, bem como as maneiras como a
diversidade e a pluralidade são abordadas tanto nas mídias locais quanto nas globais.
Por fim, os professores devem desenvolver a capacidade de avaliar como os estudantes
interpretam as mensagens de mídia e as informações de uma série de fontes.28
PRODUÇÃO E USO DAS
MÍDIAS E DA INFORMAÇÃO
O Currículo de AMI provê aos professores as competências para que eles engajem-se junto
às mídias e às plataformas de informação, para que possam comunicar-se de maneira
significativa e alcançar a autoexpressão. Isso envolve o conhecimento de ética nas mídias
e infoética com base nos padrões internacionais, incluindo o campo das competências
interculturais. A capacidade de selecionar, adaptar e/ou desenvolver materiais e ferramentas
de alfabetização midiática e informacional para um dado conjunto de objetivos e necessidades
de aprendizagem dos estudantes deve ser uma habilidade adquirida pelos professores. Além
disso, esses professores devem desenvolver habilidades que lhes permitam auxiliar os alunos
na aplicação dessas ferramentas e fontes em sua aprendizagem, especialmente em relação
à busca de informação e à produção de conteúdo.
A produção de conteúdo e o uso das mídias devem promover uma pedagogia focada
nos alunos, capaz de estimular a investigação e o pensamento reflexivo por parte
dos estudantes. A aprendizagem prática é um importante aspecto da assimilação de
conhecimentos no século XXI. A produção de conteúdo midiático proporciona uma via para
que os estudantes familiarizem-se com a aprendizagem pela prática, por meio da produção
de textos e imagens em um ambiente participativo. Os professores devem desempenhar
um papel ativo nesse processo, para que os alunos possam desenvolver competências
para a aprendizagem participativa.
Os conteúdos gerados pelos usuários estão se tornando uma forte atração tanto para as
novas mídias quanto para as mídias tradicionais. Cada vez mais, a interação com outros
usuários das redes de relacionamento é a principal razão para que os jovens acessem a
internet por meio de diversas plataformas. Esse fenômeno não se restringe aos países
desenvolvidos: na África e no Sul da Ásia, mais e mais cidadãos estão tendo acesso às
mídias móveis e usando-as para receber e enviar mensagens e participar de discussões
sobre questões sociais e políticas que afetam suas vidas.
À medida que os professores desenvolvem competências e tornam-se confiantes para
produzir e usar mídias e informações para práticas instrutivas, eles passam a ser líderes
na promoção da alfabetização midiática e informacional dentro do currículo escolar.
Quanto mais os professores aumentam sua proficiência no ensino de AMI para uma série
de funções, mais são referências em AMI no sistema escolar e nas suas sociedades. 29
COMPETÊNCIAS CENTRAIS
PARA PROFESSORES
A Tabela 2 apresenta as metas curriculares amplas e as habilidades de ensino a elas associadas.
Essas habilidades refletem as competências centrais as quais se espera que os professores
assimilem e demonstrem em relação a cada um dos elementos da matriz curricular de AMI.
A Tabela 2 descreve quais devem ser os resultados esperados ao avaliar-se em que medida os
professores têm desenvolvido as habilidades relevantes para as áreas curriculares.
Tabela 2:Metas curriculares da UNESCO para a AMI e habilidades dos professores
Áreas curriculares Metas curriculares Habilidades curriculares
Política e visão Conscientizar os professores
sobre as políticas e a visão
necessárias para a AMI
Os professores devem entender as políticas necessárias para a
promoção da AMI e como estas podem ser aplicadas na educação
(e na sociedade). Os professores devem entender como a AMI
contribui para as habilidades na vida e para o desenvolvimento
mais amplo no contexto da educação cívica.
Currículo e avaliação Enfatizar o uso dos recursos
de AMI e suas aplicações
Os professores devem entender como a alfabetização midiática
e informacional pode ser utilizada no currículo escolar. Devem ter
condições de avaliar criticamente os textos de mídia e as fontes
de informação à luz das funções atribuídas às mídias de notícias
e a outros provedores de informação. Igualmente devem saber
selecionar uma ampla variedade de materiais a partir das mídias e
das fontes de informação. Os professores devem ter as habilidades
necessárias para avaliar a compreensão que os alunos têm da AMI.
Alfabetização midiática e
informacional
Aprimorar o conhecimento
de todo o campo das mídias
e de outros provedores de
informação, como bibliotecas,
arquivos e internet
Os professores devem conhecer e entender como as mídias e
outros provedores de informação desenvolveram-se até alcançar
seus formatos atuais. Devem desenvolver habilidades no uso
das tecnologias disponíveis para alcançar diferentes públicos,
das mídias impressas às novas mídias. Devem ter condições de
usar diversas mídias e fontes de informação para desenvolver
pensamento crítico e habilidades na solução de problemas e
devem transmitir essas habilidades aos seus alunos.
Organização e
administração
Aprimorar a capacidade dos
professores de organizar o
espaço da sala de aula para a
participação efetiva em todo
o ensino e a aprendizagem e
para que as fontes midiáticas e
informacionais sejam parte da
realização desse objetivo
Os professores alfabetizados em mídia e informação devem
entender a organização da sala de aula. Devem ser capazes de
criar condições de ensino e aprendizagem que maximizem o
uso de diversas mídias e de outros provedores de informação
para a educação cívica e a aprendizagem continuada, incluindo
as habilidades na organização da aprendizagem de maneira
a transformar a sala de aula em um espaço de respeito pelas
diferentes visões e perspectivas, independentemente da trajetória
e do gênero de cada um.
Pedagogia Realizar mudanças nas
práticas pedagógicas dos
professores, necessárias
ao ensino da alfabetização
midiática e informacional
Os professores alfabetizados em mídia e informação devem
adquirir as habilidades pedagógicas necessárias para ensinar a
alfabetização midiática e informacional aos alunos. Devem ter a
capacidade de ensinar a AMI pela perspectiva da boa governança,
do desenvolvimento e do diálogo intercultural. Devem adquirir
conhecimentos sobre as interações dos estudantes com as
mídias e as reações a elas como um primeiro passo no apoio à
aprendizagem da alfabetização midiática e informacional. Os
professores também devem entender os principais conceitos, as
ferramentas de busca e as estruturas da disciplina de AMI, para
criar experiências de aprendizagem que possam ser significativas
para os estudantes e prepará-los para seu papel como cidadãos.
Desenvolvimento
profissional dos
professores
Promover um enfoque de
educação de professores na
aplicação das mídias e das
fontes de informação para a
aprendizagem continuada e o
desenvolvimento profissional
Os professores devem ter as habilidades necessárias para
usar as mídias e as tecnologias no acesso às informações
e devem adquirir conteúdos disciplinares e conhecimentos
pedagógicos de apoio ao seu próprio desenvolvimento
profissional.30
Essa matriz contém nove módulos centrais, dois módulos complementares e três unidades
complementares para o enriquecimento do Currículo de AMI. Os módulos fornecem um
esboço dos conteúdos e das atividades que podem ser adaptados pelos professores e
pelas instituições de educação de professores nos seus respectivos países. A seguinte
lista de competências, relacionada a módulos, unidades e temas do currículo, enfatiza
conhecimentos e habilidades específicas que os professores devem assimilar à medida
que avançam ao longo dos módulos. Quando os módulos forem selecionados para um
programa específico de AMI para a educação de professores, eles devem envolver a
maioria dessas competências.
Competência de AMI 1:a compreensão do papel
das mídias e da informação na democracia
Os módulos no Currículo de AMI relacionados a essa competência incluem estes pontos:
Módulo 1: cidadania, liberdade de expressão e informação, acesso à informação,
discurso democrático e aprendizagem continuada; Módulo 2: notícias e ética midiática e
informacional; Módulo 9: comunicação, AMI e aprendizagem – módulo de recapitulação.
O professor de AMI começará a familiarizar-se com as funções das mídias
e de outros provedores de informação e a compreender sua importância
para a cidadania e para a tomada de decisões bem informadas.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ identificar, descrever e avaliar as funções de utilidade pública das mídias e de outros
provedores de informação nas sociedades democráticas;
◾ demonstrar uma compreensão de conceitos centrais, como liberdade de expressão,
acesso à informação e direitos fundamentais contidos no Artigo 19 da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH);
◾ interpretar e descrever as relações entre a alfabetização midiática e informacional, a
cidadania e a democracia;
◾ descrever o pluralismo nas mídias, as mídias e outros provedores de informação
como plataformas para o diálogo intercultural, e saber por que essas questões são
importantes;
◾ caracterizar a independência editorial;
◾ explicar o jornalismo como uma disciplina de verificação dentro de um mandato de
serviço público;
◾ descrever a ética midiática e informacional e estar em condições de identificar
situações nas quais essa ética foi infringida.31
Competência de AMI 2: a compreensão dos
conteúdos das mídias e dos seus usos
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem o seguinte:
Módulo 2: notícias e ética midiática e informacional; Módulo 3: a representação nas
mídias e na informação; Módulo 4: linguagens midiáticas e informacionais; Módulo 10: o
público; Módulo 5: publicidade.
O professor de AMI estará em condições de demonstrar seu
conhecimento e sua compreensão da forma como as pessoas utilizam as
mídias nas suas vidas pessoais e públicas, das relações entre os cidadãos e
os conteúdos da mídia, e do uso das mídias para uma série de propósitos.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ interpretar e traçar ligações entre os textos de mídia, contextos e valores projetados
pela mídia;
◾ usar estratégias para analisar estereótipos nas mídias (por exemplo, reconhecer os
estereótipos que servem aos interesses de alguns grupos na sociedade à custa de
outros; identificar técnicas utilizadas nas mídias visuais que perpetuam estereótipos);
◾ identificar, analisar e criticar uma série de técnicas usadas na publicidade que atuem
contra os padrões internacionais e códigos de prática;
◾ explorar representações, falsas representações e a falta de representação nas mídias
e nos textos de informação;
◾ entender e descrever as características e a importância das emissoras de serviço
público.
Competência de AMI 3: o acesso eficiente e
eficaz à informação
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem os pontos a seguir:
Módulo 1: cidadania, liberdade de expressão e informação, acesso à informação, discurso
democrático e aprendizagem continuada; Módulo 7: oportunidades e desafios da internet;
Módulo 8: alfabetização informacional e habilidades no uso de bibliotecas.
O professor de AMI estará em condições de determinar os tipos de
informações necessárias para tarefas específicas e para o acesso à
informação de maneira eficiente e eficaz.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ selecionar abordagens eficientes e eficazes no acesso à informação requerida para os
propósitos de investigação e busca de informações;
◾ identificar as palavras-chave e os termos relacionados para acessar as informações
requeridas;32
◾ identificar uma série de tipos e formatos de fontes potenciais de informação;
◾ descrever os critérios usados para a tomada de decisões e as escolhas informacionais.
Competência de AMI 4: a avaliação crítica
das informações e suas fontes
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem os pontos abaixo:
Módulo 3: a representação nas mídias e na informação; Módulo 5: publicidade; Módulo 7:
oportunidades e desafios da internet; Módulo 8: alfabetização informacional e habilidades no
uso de bibliotecas; Módulo 9: comunicação, AMI e aprendizagem – módulo de recapitulação.
O professor de AMI estará em condições de avaliar criticamente as
informações e suas fontes e de incorporar as informações selecionadas
com vistas à solução de problemas e à análise de ideias.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ demonstrar a capacidade de examinar e comparar informações de diversas fontes, a
fim de avaliar sua confiabilidade, validade, precisão, autoridade, duração e tendência;
◾ utilizar uma série de critérios (por exemplo, clareza, precisão, eficácia, tendência,
relevância dos fatos) para avaliar as mídias informacionais (por exemplo, sites da
internet, documentários, peças publicitárias, programas de notícias);
◾ reconhecer preconceitos, trapaças e manipulações;
◾ reconhecer os contextos culturais, sociais e de outra natureza nos quais a informação
foi criada e entender o impacto do contexto na interpretação da informação;
◾ entender o alcance das tecnologias ligadas às mídias e estudar a interação das ideias;
◾ comparar os novos conhecimentos com os conhecimentos anteriores, avaliando o valor
agregado, as contradições e outras características específicas do universo da informação;
◾ determinar a provável precisão, questionando as fontes dos dados, as limitações da
informação, as ferramentas e as estratégias de coleta de dados, além da plausibilidade
das conclusões;
◾ usar uma série de estratégias para interpretar os textos de mídia (por exemplo, concluir,
generalizar, sintetizar os materiais vistos, fazer referência a imagens ou informações
em mídias visuais para apoiar pontos de vista, desconstruir mídias para determinar
suas bases subjacentes e decodificar o subtexto).
Competência de AMI 5: a aplicação de
formatos novos e tradicionais de mídias
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem o disposto a seguir:
Módulo 6: novas mídias e mídias tradicionais; Módulo 7: oportunidades e desafios da internet;
Módulo 3: unidade 5, edição digital e retoques computacionais; Módulo 4: unidade 4, planos
e ângulos de câmera – a transmissão de significados.33
O professor de AMI estará em condições de entender os usos da
tecnologia digital, das ferramentas e das redes de comunicação para a
coleta de informações e a tomada de decisões.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ entender os conhecimentos básicos da tecnologia digital, das ferramentas e redes de
comunicação e seu uso em diferentes contextos para diferentes propósitos;
◾ utilizar um amplo leque de “textos” de mídia para expressar suas próprias ideias através
de diversos formatos de mídias (por exemplo, impressão tradicional, mídias eletrônicas,
mídias digitais etc.);
◾ realizar buscas básicas de informação online;
◾ entender com que propósitos os jovens utilizam a internet.
Competência de AMI 6: situar o contexto
sociocultural dos conteúdos midiáticos
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem os seguintes pontos:
Módulo 1: cidadania, liberdade de expressão e informação, acesso à informação,
discurso democrático e aprendizagem continuada; Módulo 2: notícias e ética midiática e
informacional; Módulo 3: a representação nas mídias e na informação; Módulo 11: mídia,
tecnologia e a aldeia global.
O professor de AMI estará em condições de demonstrar seu
conhecimento e sua compreensão de que os conteúdos de mídia são
produzidos em meio a contextos sociais e culturais específicos.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ analisar e explicar como as regras e as expectativas que regem os gêneros de mídia
podem ser manipuladas para provocar efeitos e resultados específicos;
◾ produzir textos de mídia que apresentem diferentes perspectivas e representações;
◾ descrever as mídias e outros provedores de informação como plataformas de diálogo
intercultural;
◾ demonstrar a capacidade de avaliar criticamente os conteúdos locais e as mensagens de
mídia recebidos ou criados em prol da cidadania democrática e da diversidade cultural;
◾ entender como o trabalho de edição direciona o significado nas mídias visuais e em
suas mensagens (por exemplo, a omissão de perspectivas alternativas, pontos de vista
filtrados ou implícitos, ênfase em ideias específicas etc.).34
Competência de AMI 7: a promoção da AMI
entre os estudantes e o gerenciamento das
mudanças requeridas
Os módulos do currículo relacionados a essa competência incluem os pontos abaixo:
Módulo 1: cidadania, liberdade de expressão e informação, acesso à informação, discurso
democrático e aprendizagem continuada; Módulo 9: comunicação, AMI e aprendizagem
– módulo de recapitulação; mídias e TICs para a aprendizagem, discurso democrático; e
todos os outros módulos.
O professor de AMI estará em condições de usar os conhecimentos e
as habilidades assimiladas durante sua própria formação em AMI para
promover a alfabetização midiática e informacional entre os estudantes e
gerenciar as mudanças a ela relacionadas no ambiente escolar.
Os resultados dessa competência devem incluir as seguintes habilidades dos professores:
◾ entender como diferentes alunos interpretam e aplicam produtos e eventos das mídias
às suas próprias vidas;
◾ entender e utilizar uma série de atividades instrutivas para promover as habilidades
dos estudantes na alfabetização midiática e informacional;
◾ demonstrar a capacidade de auxiliar os estudantes na seleção das abordagens mais
apropriadas (por exemplo, os sistemas de busca de dados) para que possam acessar as
informações necessárias;
◾ demonstrar a capacidade de auxiliar os estudantes na avaliação crítica das informações e de
suas fontes, enquanto assimilam as informações relevantes à sua base de conhecimentos;
◾ utilizar o conhecimento de técnicas efetivas de comunicação verbal, não verbal e
midiática para promover a investigação e a colaboração ativa, além da comunicação
aberta e livre entre os estudantes;
◾ entender e utilizar as estratégias formais e informais de busca de informações para
melhor desenvolver a assimilação do conhecimento e as habilidades necessárias para
a leitura, a observação e a escuta crítica entre os estudantes;
◾ utilizar ferramentas de alfabetização midiática e informacional para promover um
ambiente de aprendizagem mais participativo para os estudantes;
◾ utilizar tecnologias de mídias tradicionais e novas para relacioná-las com a aprendizagem
na escola e fora dela, especialmente entre os estudantes que estão se afastando do
ambiente escolar;
◾ utilizar as TICs nas salas de aula para auxiliar os estudantes a descobrirem as TICs e as
fontes de mídia disponíveis, para que possam usá-las em sua própria aprendizagem;
◾ utilizar a alfabetização midiática e informacional para ampliar a participação no
processo de aprendizagem;
◾ utilizar os conhecimentos e as habilidades assimiladas durante sua própria formação
para desenvolver as habilidades dos estudantes no uso das fontes de mídia e bibliotecas
como ferramentas de pesquisa e aprendizagem;
◾ utilizar os conhecimentos e as habilidades assimilados na sua própria formação para
desenvolver as habilidades dos estudantes na avaliação das mídias e da informação e na
compreensão das questões éticas relacionadas à alfabetização midiática e informacional.35
PEDAGOGIAS NO ENSINO
E NA APRENDIZAGEM
DA AMI: O USO DO
CURRÍCULO
As seguintes abordagens pedagógicas subjazem às estratégias utilizadas ao longo dos
módulos do Currículo de AMI.
I. Abordagem investigativa
A aprendizagem baseada no questionamento é uma abordagem centrada no estudante que
busca questionar as questões relacionadas à alfabetização midiática e informacional na
sociedade contemporânea. Ela incorpora muitas das características associadas à aprendizagem
investigativa, à resolução de problemas e à tomada de decisões, possibilitando que os aprendizes
assimilem novos conhecimentos e habilidades por meio dos seguintes estágios de investigação:
identificação da questão; reconhecimento das atitudes e das crenças subjacentes: clarificação
dos fatos e princípios que estão por trás da questão: localização, organização e análise de
evidências; e a tomada de decisão e a reconsideração das consequências e dos resultados de
cada fase. Esse é um método apropriado para ensinar a AMI aos estudantes que têm, por meio
dela, oportunidades de explorar profundamente as questões.
Exemplos da abordagem por questionamento em AMI incluem: explorar os retratos de
gênero e raça por meio da análise da mídia; explorar a questão da privacidade e as mídias
por meio de análises de fontes primárias e secundárias; explorar o fenômeno do cyberbullying (a prática de hostilização e intimidação, especialmente entre jovens, nas TICs) por
meio da pesquisa etnográfica.
II. Aprendizagem baseada em problemas (ABP)
A aprendizagem baseada em problemas é um sistema instrucional e de desenvolvimento
de currículo que desenvolve simultaneamente as bases de conhecimentos e as habilidades
interdisciplinares dos estudantes, bem como o pensamento crítico e as estratégias de solução
de problemas. Originou-se na Faculdade de Medicina da Universidade McMaster, em Ontário,
Canadá. Trata-se de um método de aprendizagem altamente estruturado e cooperativo, que
visa a aprimorar tanto o conhecimento individual quanto o coletivo, engajando os estudantes
na investigação crítica aprofundada de problemas verídicos. Os objetivos de aprendizagem,
as questões, os métodos de investigação e os resultados são administrados pelos estudantes.
Um exemplo de aprendizagem baseada em problemas no domínio da AMI é a criação de
uma campanha de marketing social eficiente para um público específico.36
III.Investigação científica
A investigação científica refere-se a uma série de técnicas que os cientistas usam para explorar
o mundo natural e propor explicações com base nas evidências encontradas. O processo de
investigação é frequentemente expresso como um conjunto simplificado de passos denominado
ciclo de investigação, que envolve atividades tais como: observação; elaboração de perguntas;
revisão do conhecimento já existente; planejamento de investigações; revisão dos conhecimentos
anteriores à luz das evidências experimentais; utilização de ferramentas para reunir, analisar
e interpretar dados; proposição de explicações; e comunicação de resultados. Esse método
também pode ser adaptado para o ensino da alfabetização midiática e informacional.
São exemplos de investigação científica a investigação do impacto da violência na mídia e
a investigação dos papéis das comunidades online.
IV. Estudo de caso
O método conhecido como estudo de caso envolve o estudo aprofundado de um único evento ou
situação. Ele é muito praticado na Harvard Business School, onde os estudantes universitários
usam incidentes verídicos para avaliar como o conhecimento teórico pode ser aplicado a casos
reais. Essa abordagem é pertinente no ensino da AMI, pois os estudantes são diariamente expostos
a diversas formas de mensagens através das mídias e de outros provedores de informação. Ela
proporciona uma maneira sistemática de olhar para eventos, coletar dados, analisar informações
e reportar os resultados que, à sua vez, sustentam a aprendizagem investigativa entre os alunos.
Os estudantes desenvolvem uma compreensão mais profunda e plena da razão por que os
eventos e as situações acontecem da forma como acontecem. O estudo de caso também é útil
para o trabalho de formulação e testagem de hipóteses.
Por exemplo, os estudantes podem realizar um estudo de caso de uma estratégia de
campanha de marketing e lançar um filme de sucesso, um livro campeão de vendas ou
outro produto de mídia de amplo alcance.
V. Aprendizagem colaborativa
A aprendizagem colaborativa refere-se à abordagem instrutiva que estimula estudantes a
trabalharem conjuntamente para atingir metas compartilhadas. A aprendizagem colaborativa
pode incluir desde um simples trabalho em dupla até modalidades mais complexas, como a
aprendizagem de projetos, a técnica jigsaw de Eliot Aronson, o questionamento entre os pares e
o ensino recíproco, todos visando a produzir ganhos de aprendizagem, como o desenvolvimento
da compreensão conceitual e do pensamento complexo, de melhores habilidades interpessoais,
de atitudes mais positivas dos estudantes em relação às escolas e a si mesmos e da habilidade
de lidar com a heterogeneidade acadêmica nas salas de aula, tendo em vista que já houve a plena
superação das habilidades básicas. Este é um método apropriado na aprendizagem e no ensino
da educação midiática, pois requer o compartilhamento de ideias e a aprendizagem entre os
pares.
Um exemplo de aprendizagem colaborativa é o trabalho compartilhado em um espaço wiki.37
VI.Análise de textos
Os estudantes aprendem a realizar a análise de textos por meio da identificação dos códigos
e das convenções de diversos gêneros de mídia. A análise semiótica visa a aumentar a
compreensão dos conceitos principais. Portanto, os estudantes aprendem a identificar
como os códigos e as convenções de linguagem são usados para criar tipos específicos de
representações que terão apelo a certos públicos. Ensina-se os estudantes a identificar os
códigos técnicos, simbólicos e narrativos de qualquer texto de mídia. Sempre que possível,
esse tipo de análise de texto ocorre dentro de contextos significativos, em vez de ser
meramente um exercício acadêmico para seus próprios fins.
Exemplo: pede-se aos alunos que selecionem um texto de mídia que seja do seu interesse.
Pode ser um artigo da mídia, um vídeo do YouTube ou um videoclipe de uma fonte de
notícias online. Em seguida, os alunos formam grupos e analisam o público, o propósito, o
autor, as características técnicas/textuais e o contexto.  
VII.Análise de contexto
Os estudantes aprendem a realizar análises básicas de contexto, particularmente em
relação aos conceitos centrais de instituições e tecnologias, mas também em relação a
uma série de abordagens teóricas.
Exemplos de análises de contexto e pedagogia incluem o auxílio a estudantes na
aprendizagem de temas, como sistemas de classificação de filmes, programas de televisão
e videogames populares em seu país; e formas como a propriedade e a concentração das
mídias estão relacionadas às questões da democracia e da liberdade de expressão.
VIII.Traduções
Esta abordagem pedagógica pode assumir diferentes formas e pode ser usada em uma
série de ambientes ligados à mídia. Os estudantes podem pegar um artigo de jornal que
tenham escrito sobre um fato na universidade e transformá-lo em uma notícia de rádio
em formato digital. Ou podem assistir a um breve trecho de um filme infantil e trabalhar
em pequenos grupos para redigirem um roteiro de imagens que corresponda à cena,
identificando os planos, os ângulos e as transições que foram usados.9
Outros exemplos: os estudantes também podem pegar um conto de fadas e convertê-lo
em um roteiro de imagens para ser filmado. Ou podem coletar diversos materiais visuais
já existentes relacionados à vida de uma pessoa e usá-los como o ponto de partida no
planejamento e na realização de um breve documentário sobre essa pessoa.
9 Os exercícios de tradução têm como objetivo testar o potencial e os limites de cada linguagem. Ao transformar uma
reportagem escrita em uma nota radiofônica ou em uma história em quadrinhos, por exemplo, os estudantes têm a
oportunidade de conhecer melhor as relações entre linguagem e representação, e as mudanças que ocorrem quando um
conteúdo é tratado em mídias diferentes e em gêneros diferentes, para audiências com expectativas diversas.38
IX.Simulações
As simulações são frequentemente usadas como uma estratégia nas unidades curriculares
de filmes e mídia. Os tutores usam simulações para demonstrar aos alunos como a
aprendizagem midiática é feita. Ou seja, o tutor assume o papel de um professor na sala
de aula, e os aprendizes atuam como alunos, pelo menos com o objetivo de completar as
atividades. Essa estratégia é discutida com os estudantes como um processo pedagógico.
Exemplos incluem situações em que os estudantes assumem os papéis de uma equipe
de produção de um documentário realizando um programa de televisão direcionado ao
público jovem; ou de jornalistas do rádio ou da internet entrevistando um professor de
mídia para a criação de um registro digital; ou ainda de uma equipe de marketing de uma
universidade realizando um vídeo promocional para possíveis alunos interessados em
entrar na vida universitária.
X. Produção
Esta abordagem implica a aprendizagem pela prática, que é um importante aspecto da
assimilação de conhecimentos no século XXI. Os estudantes devem ser levados a explorar
a aprendizagem em um nível mais profundo e significativo. A produção de conteúdos
sobre mídia e TICs oferece aos estudantes a oportunidade de realizarem uma imersão na
aprendizagem por meio da exploração e da ação. Com a produção de textos de mídia (por
exemplo, arquivos de áudio, vídeo ou impressos), os estudantes têm condições de explorar
sua criatividade e de expressar-se com suas próprias vozes, ideias e perspectivas.10
Como exemplo, citam-se o uso, pelos estudantes, de programas como o iMovie ou o
Moviemaker (ou quaisquer outros programas abertos semelhantes) para realizar uma
reportagem digital de um minuto sobre uma questão ambiental ou qualquer outro tema
de interesse.
10 Educadores para a mídia também costumam usar o termo proto-produção para se referir a essa atividade, enfatizando que
a qualidade técnica não é o principal objetivo da produção feita por alunos, apesar de não ser descartada. As atividades
de produção em AMI devem criar situações-problema paradigmáticas da cultura midiática a serem resolvidas pelos
estudantes, para que o exercício não seja uma mera celebração da vontade do aluno. Um exemplo é a criação de um
programa de rádio ou de TV, de caráter educativo, que não exista na grade de programação das emissoras locais. Devese pensar em perfil do público-alvo, horário de exibição, duração, gênero, plot, vinheta de abertura e de encerramento,
atribuição de tarefas e critérios de avaliação que estimulem os alunos a pensar em que medida o resultado final atingiu
os objetivos iniciais e se as etapas do processo de produção facilitaram ou dificultaram a realização dos objetivos.39
Apêndice: fontes selecionadas
em alfabetização midiática e
informacional
1. Educação midiática: um material para
professores, estudantes, pais e profissionais
Essa publicação, feita pela UNESCO, pode ser encontrada em árabe, francês, inglês e
português. Em parte, trata-se de um produto do projeto MENTOR, implementado pela
UNESCO e apoiado pela Comissão Europeia. Essa foi uma primeira tentativa de desenvolver
um material abrangente no campo da AMI. O presente Currículo de Alfabetização Midiática
e Informacional para Professores complementa e aprimora o pacote de ferramentas com
enfoque específico em educação de professores.
Abordam-se questões como estas no material: de que deve consistir a educação midiática?
Quem deve provê-la? Como deve ser incluída em um currículo? Além das escolas, também
as famílias têm algo a dizer sobre essa questão? Pode-se envolver profissionais, e como?
Que estratégias podem ser adotadas pelo público para lidar com os benefícios e as
limitações da mídia?
O material contém uma Proposta de Currículo por Módulos, um Manual para Professores,
um Manual para Estudantes, um Manual para Pais, um Manual para as Relações Éticas
com os Profissionais e um Manual de Alfabetização para a Internet.
Veja o link da publicação em inglês “Media Education: a Kit for Teachers, Students, Parents
and Professionals”:
2. Indicadores de desenvolvimento
da mídia da UNESCO
Este é um conjunto de indicadores internacionalmente acordados, que foi traduzido para
várias línguas com o objetivo de avaliar as condições necessárias para que os serviços
de mídia e as TICs cumpram suas funções de serviço público. Os indicadores devem
auxiliar no exame destas cinco categorias de condições interdependentes: sistema de
regulação; pluralidade e diversidade da mídia; as mídias como plataformas para o discurso
democrático; capacitação profissional; e capacidade infraestrutural.
Veja o link da publicação “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a
avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”: images/0016/001631/163102por.pdf>.40
3. Reunião Internacional sobre Educação
Midiática – Progressos, Obstáculos,
Novas Tendências desde Grünwald:
Rumo a Novos Critérios de Avaliação
Essa reunião internacional foi organizada em Paris (junho de 2007) pela Comissão Francesa
para a UNESCO, em parceria com a UNESCO e com o apoio do Ministério da Educação da
França e do Conselho Europeu.
Veja o link para o texto em inglês:
4. O empoderamento por
meio da educação midiática
Essa é uma publicação produzida pela NORDICOM, pela International Clearinghouse e
pela Universidade de Göteborg em parceria com a UNESCO. O livro baseia-se na Primeira
Conferência Internacional sobre Educação Midiática, realizada em Riad, em março de
2007 (também em parceria com a UNESCO), e na Reunião Internacional sobre Educação
Midiática: Progressos, Obstáculos, Novas Tendências desde Grünwald: Rumo a Novos
Critérios de Avaliação, realizada em Paris, em junho de 2007.
Quando discutimos questões ligadas à democracia e ao desenvolvimento, frequentemente
nos esquecemos de que a existência de cidadãos alfabetizados em termos midiáticos é
uma pré-condição. Um importante pré-requisito para o empoderamento dos cidadãos é o
esforço concentrado para aprimorar a alfabetização midiática e informacional – habilidades
que auxiliam no fortalecimento das capacidades críticas e de comunicação que permitem
aos indivíduos utilizar as mídias e as comunicações tanto como ferramentas, quanto como
uma maneira de articular processos de desenvolvimento e mudança social, aprimorando
a rotina cotidiana e empoderando as pessoas para que influenciem suas próprias vidas.
A alfabetização midiática e informacional é necessária para todos os cidadãos e tem uma
importância decisiva para a nova geração – tanto no papel dos jovens como cidadãos e
participantes da sociedade quanto na sua aprendizagem, na sua expressão cultural e na
sua realização pessoal. Um elemento fundamental nos esforços rumo a uma sociedade
alfabetizada em mídia e informação é a educação midiática. Mas, quando questões dessa
natureza são discutidas, o marco referencial é muito frequentemente a cultura midiática
do mundo ocidental. É necessário que a agenda urgentemente se torne muito mais aberta
e permeável a ideias e abordagens culturais não ocidentais. A internacionalização é
um fenômeno enriquecedor e necessário em relação ao nosso interesse comum em
paradigmas mais amplos e inclusivos.
Veja informações sobre a publicação em inglês “Empowerment through Media Education:
an Intercultural Dialogue” no seguinte link: php?portal=publ&main=info_publ2.php&ex=258&me=3>. 41
5. Compreendendo a alfabetização
informacional: uma introdução
Por meio dessa publicação, o Programa Informação para Todos da UNESCO (Information
for All Programme – IFAP) define alfabetização midiática de uma maneira fácil e não
técnica.
A obra visa a alcançar um público bastante diversificado, que vai desde representantes
governamentais, funcionários públicos intergovernamentais, profissionais da informação
e professores a gerentes de recursos humanos de organizações com e sem fins lucrativos.
Eis um excerto:
Ao longo da sua vida, quanto mais você aprende e conhece, e quanto
mais rápido você domina e adquire habilidades, hábitos e atitudes
eficientes de aprendizagem – descobrindo como, de onde, com quem
e quando procurar e coletar as informações que você precisa saber
[...] – mais você se torna alfabetizado em termos informacionais. Sua
competência em aplicar e utilizar essas habilidades, hábitos e atitudes
lhe permitirá tomar decisões mais sensatas e rápidas para lidar com
a saúde e o bem-estar pessoal e de sua família, com os desafios
educacionais, profissionais, de cidadania e de outra natureza.11
Ver a publicação em inglês “Understanding Information Literacy: a Primer”:

6. Rumo a indicadores de
alfabetização informacional
Esse texto traz uma matriz conceitual básica para mensurar a alfabetização informacional.
Ele inclui uma definição de alfabetização informacional; um modelo que relaciona a
alfabetização informacional a outras competências adultas, como as habilidades em TICs;
e uma descrição dos padrões de alfabetização informacional na educação.
A alfabetização informacional é parte de um conjunto integrado de habilidades que os
adultos necessitam assimilar para serem eficazes em todas as dimensões de suas vidas.
Como afirma a Proclamação de Alexandria de 2005, a alfabetização informacional é a
capacidade que as pessoas têm de:
◾ reconhecer suas necessidades informacionais;
◾ localizar e avaliar a qualidade da informação;
◾ armazenar e recuperar informações;
◾ fazer um uso efetivo e ético da informação;
◾ aplicar a informação para criar e comunicar conhecimentos.
11 HORTON JR., Forest Woody. Understanding information literacy: a primer. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: unesdoc.unesco.org/images/0015/001570/157020e.pdf>.42
O desenvolvimento de indicadores de alfabetização informacional, pelo qual as realizações
podem ser demonstradas e os esforços futuros mais bem definidos, é uma prioridade tanto
em âmbito nacional quanto internacional. A alfabetização informacional está na base de
muitas das Metas de Desenvolvimento do Milênio, por exemplo, no combate às doenças
e no aprimoramento das oportunidades de emprego. Os indicadores de alfabetização
informacional podem auxiliar os países na identificação dos efeitos das políticas para
fomentar o desenvolvimento da alfabetização informacional e para identificar as condições
dos cidadãos de participar de uma sociedade do conhecimento.
Veja o link da publicação em inglês “Towards Information Literacy Indicators: Conceptual
Framework Paper”: .
7. Padrões de competência
em TIC para professores
Reconhecendo a necessidade de proporcionar padrões que auxiliem os setores
educacionais nacionais a alavancar o campo das TICs, a UNESCO uniu-se à Cisco, à Intel
e à Microsoft, bem como à Sociedade Internacional para a Tecnologia na Educação (ISTE)
e ao Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech) para definir o
projeto dos Padrões de Competência em TIC para Professores.
A meta desse projeto é prover orientação para aprimorar a prática dos professores por
meio das TICs e dar uma nova dimensão às suas habilidades, independentemente de onde

a sala de aula estiver localizada – resultando em uma melhor educação e em estudantes



mais bem capacitados.
A série “Padrões de competência em TIC para professores” é composta por três livretos
que incluem os itens abaixo:
◾ o marco político, explicando a justificativa, a estrutura e a abordagem do projeto;
◾ uma estrutura de módulos em padrões de competência, que combina os componentes
de uma reforma educacional com diversas abordagens de políticas públicas para gerar
uma matriz de conjuntos de habilidades para professores;
◾ diretrizes de implementação, com uma lista detalhada de referências sobre as
habilidades específicas a serem assimiladas pelos professores dentro de cada conjunto
e módulo de habilidades.
Conheça as publicações nos seguintes links:
“Padrões de competência em TIC para professores: marco político”

“Padrões de competência em TIC para professores: diretrizes de implementação, versão 1.0”

“Padrões de competência em TIC para professores: módulos de padrão de competência”


Maria, Rainha da Paz!

Maria, Rainha da Paz!
Rogai por todos nós... Mãe do mundo!

Você imaginava?


"VOCÊ IMAGINAVA ...
QUE APRENDERIA ENQUANTO ENSINAVA...
QUE DANDO RECEBERIA...
QUE BRINCANDO CONSTRUIRIA...
QUE SERIA PROFESSORA E GUIA???
VOCÊ IMAGINAVA...
QUE DEIXARIA MARCAS PROFUNDAS COM SEUS EXEMPLOS E SEUS OLHARES, TRANSFORMANDO LÁGRIMAS EM RISOS E GARGALHADAS???
VOCÊ IMAGINAVA QUE CHEGARIA ESSE DIA EM QUE SEUS ALUNOS DIRIAM AO MUNDO INTEIRO "MINHA PROFESSORA, EU TE ADORO!!"
SE CHEGOU A IMAGINAR ALGUNS DESSES MOMENTOS, COM CERTEZA, EM SEU CORAÇÃO JÁ TINHA A ESSÊNCIA DESTA LINDA PROFISSÃO!!!!
(MARIA ROSA NEGRIN)

Lilás

Lilás